O Facebook, que já teve planos de fazer um drone para fornecer acesso à internet em partes remotas do mundo, agora planeja lançar satélites para executar essa tarefa.

Facebook deixa de lado plano de construir drones que fornecem internet para países pobres
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De acordo com documentos obtidos na Justiça dos EUA pela Wired, a FCC (Comissão Federal de Comunicações) teve diversos encontros com representantes do Facebook e de suas subsidiárias para discutir o lançamento de um satélite pequeno de órbita baixa. Isso tudo em 2016. A Wired informa:

Os e-mails mostram que a rede social quer lançar Athena, seu próprio satélite de internet, no início de 2019. O novo dispositivo é desenvolvido para “fornecer de forma eficiente acesso à banda larga em áreas sem cobertura e pobres em todo o mundo”, segundo um documento submetido ao órgão de telecomunicações em que aparece sob o nome PointView Tech LLC.

Com esse registro, o Facebook se junta à SpaceX, de Elon Musk, e à OneWeb, financiada pela Softbank — duas companhias que trabalham em projetos parecidos. De fato, a SpaceX lançou os dois primeiros satélites Starlink em fevereiro.

Não é a primeira vez que o Facebook tentou lançar um satélite. Em 2016, um foguete da SpaceX contendo um satélite do Facebook para fornecer conectividade na África avaliado em US$ 95 milhões explodiu durante o lançamento, embora o satélite, caso não fosse destruído, iria atingir uma órbita muito maior e fornecer internet mais lenta do que esses de baixa órbita. Após isso, os planos do Facebook ficaram estagnados. A empresa passou a se concentrar no projeto de drone movido à luz solar, mas recentemente abandonou os planos de construir seu próprio drone para criar tecnologias de base para tal fim.

Athena é apenas um projeto de pesquisa. Mas se for um protótipo para uma frota, essa frota seria para viabilizar o internet.org, o programa gratuito da rede para fornecer internet para pessoas em áreas sem conexão. O Facebook anunciou no início do ano que cerca de 100 milhões de pessoas no mundo estão conectadas por meio desse programa, que conecta usuários à rede por meio de uma suíte de apps chamado de Free Basics, no qual as pessoas podem navegar por alguns serviços sem serem cobrados.

A posição oficial do Facebook é que ter algum tipo de conexão é melhor que não ter nada. No entanto, a única opção de rede social disponível no Free Basics sem pagar taxas adicionais é o Facebook — não tem nem provedor de e-mail gratuito. E, claro, integrar novos usuários à rede assegura que a companhia ganhe uma posição ainda mais forte em mercados emergentes, onde para muitas pessoas o Facebook é o ponto principal de engajamento com a internet. Tais preocupações levaram ao banimento do serviço na Índia em 2015.

“Embora não tenhamos nada em específico para compartilhar sobre projetos atualmente, acreditamos que a tecnologia de satélite será um importante componente de próxima geração de infraestrutra de banda larga, tornando possível levar conectividade banda larga para regiões rurais, onde a conexão à internet é ruim ou inexistente”, disse o Facebook à Wired em um comunicado.

Competidores do Facebook nessa empreitada incluem a Alphabet, que abandonou um projeto de drone para se concentrar em balões e parcerias com companhias de satélite, e a SpaceX, que já lançou protótipos para sua rede de milhares de satélites de órbita baixa

[Wired]

Imagem do topo por Jeff Chiu/AP