Twitter e Facebook anunciaram na terça-feira (29) que haviam recentemente removido centenas de contas ligadas a campanhas de desinformação, aparentemente com ligação a Rússia, Venezuela e Irã. O diretor de políticas de cibersegurança do Facebook, Nathaniel Gleicher, disse em um telefonema com repórteres que as empresas conseguiram identificar maus atores em suas respectivas plataformas por meio de trocas contínuas de informação, noticiou o Hill na quinta-feira (31).

Gleicher escreveu em um post de blog que o Facebook havia removido quase 800 contas, páginas e grupos no processo, incluindo 162 contas de Instagram. Essas páginas e contas visavam pessoas de regiões ou países específicos, especialmente no Sul Asiático e no Oriente Médio, embora os Estados Unidos tenham sido supostamente alvo dos esforços também.

“Os administradores de página e donos de contas normalmente se representavam como nativos, muitas vezes usando contas falsas, e publicavam artigos de notícias sobre eventos atuais”, disse Gleicher. “Isso incluía comentários que adaptavam a cobertura da mídia iraniana estatal em tópicos como as relações entre Israel e Palestina e os conflitos na Síria e no Iêmen, incluindo o papel dos Estados Unidos, da Arábia Saudita e da Rússia.”

Gleicher acrescentou que algumas das contas que o Facebook removeu estavam ligadas a uma sondagem em andamento sobre as campanhas de desinformação no Irã, descobertas inicialmente no ano passado, quando forma excluídos 82 grupos, contas e páginas depois que se soube que maus atores estavam se passando por cidadãos do Reino Unido e dos Estados Unidos e distribuindo conteúdo politicamente polarizador.

À parte dos esforços de combate às campanhas de desinformação iranianas anunciados nesta semana, o Facebook disse no mês passado que havia agido contra 364 contas e páginas da Rússia e anunciou medidas similares contra ações vindas de Bangladesh em dezembro.

O Twitter também anunciou na quinta-feira que agiu contra centenas de contas ligadas a atividades maliciosas especificamente vindas de Rússia, Irã e Venezuela, assim como “um número muito pequeno de contas” de Bangladesh, escreveu o diretor de integridade do site do Twitter, Yoel Roth, em um post de blog.

A empresa removeu 2.617 contas que pareciam estar ligadas ao Irã desde que soube pela primeira vez dos esforços de desinformação, em agosto. O site também removeu mais de 400 contas suspeitas de estarem ligadas à Rússia, assim como aproximadamente 1.200 da Venezuela que, segundo Roth, podiam estar conectadas a “uma campanha de influência estatal visando públicos nacionais”. As investigações sobre os esforços estariam em andamento, bem como os canais de comunicação entre Twitter e Facebook.

“O Twitter tem estado em contato próximo com nossos colegas de indústria sobre esse assunto e compartilhou informações detalhadas com eles sobre as contas maliciosas”, afirmou Roth. “Esse processo multilateral de compartilhamento de informações continuará, permitindo que nós e nossos colegas da indústria trabalhem juntos para entender e identificar atividades maliciosas.”

[Facebook, Twitter]