Em 2017, o Facebook lançou o Facebook Watch, uma plataforma de vídeos dentro da rede social, nos Estados Unidos. Nesta quarta-feira (29), a companhia decidiu expandir seus serviços de vídeo para o resto do mundo, o que também inclui o Brasil.

Antes de falar da plataforma em si, o Facebook tem deixado claro nos últimos tempos o quanto quer se concentrar em vídeos. Além do IGTV, a rede social passou boa parte do ano comprando direitos (geralmente, em parceria com algum canal) de campeonatos de futebol. No ano que vem, a rede pode transmitir, por exemplo, a Liga dos Campeões da Europa e a Libertadores no Brasil. Nos EUA, a companhia comprou os direitos da MLB (Major League Baseball), para citar um exemplo.

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Sobre a ferramenta em si, confesso que a vi pela primeira vez no fim de semana, após uma atualização do app do Facebook para Android. Trata-se de uma seção do aplicativo em que a ferramenta mostra vídeos com assuntos que possam lhe interessar e arquivos de páginas que você segue. Não há séries ou programas sociais, por enquanto.

Fora o acesso via app no iOS e no Android, o Facebook Watch poderá ser acessado via Apple TV, SmartTVs da Samsung, Amazon Fire TV, Android TV, Xbox One e Oculus TV. Por ora, não terá acesso via desktop.

Num primeiro momento, a rede não vai oferecer “intervalos comerciais” para esses vídeos, pelo menos no Brasil. Em um media blog, o Facebook diz que, primeiro, essas páginas devem ser elegíveis para poder exibir esses comerciais. Na prática, isso quer dizer que elas devem criar vídeos de três minutos e gerarem mais de 30 mil visualizações de um minuto nos últimos dois meses, além disso a página deve ter mais de 10 mil seguidores.

Os produtores de conteúdo dos seguintes países poderão usar a modalidade de anúncio: Austrália, nos EUA, na Irlanda, na Nova Zelândia e no Reino Unido. Em setembro, será expandido para Alemanha, Argentina, Bélgica, Bolívia, Chile, Colômbia, Dinamarca, Espanha, Equador, El Salvador, França, Guatemala, Honduras, México, Noruega, Países Baixos, Peru, Portugal, República Dominicana, Suécia e Tailândia (meu chute é que o Brasil não entrou na lista por causa do período eleitoral).

O Facebook promete adicionar mais recursos ao Watch, como promover Watch Parties e vídeos focados na participação da audiência — como um game show de perguntas e respostas.

A investida do Facebook na área de vídeos pode balançar esse mercado que, de alguma forma, é dominado pelo YouTube. A diferença aqui é que a rede social tem bilhões de usuários. Resta saber se a monetização dos conteúdos será tão interessante quanto a do YouTube. Boa programação já tem (disponibilizar futebol pode ser um grande chamariz para a rede). Só falta saber se haverá uma grande migração de produtores de conteúdo ou o nascimento de uma nova classe que teve no Facebook sua primeira experiência com vídeo.

Imagem do topo: Divulgação