O Faceglória, a rede social da família cristã, é um espaço dedicado aos evangélicos: nela, o “like” é substituído por “amém” e os princípios religiosos e da família precisam ser seguidos e respeitados para que o cadastro dos usuários não seja bloqueado.

Esta rede social já existia há algum tempo, mas só agora passou a chamar a atenção. Em entrevista ao El País, o designer e criador da rede, Átilla Barros, explica que o Faceglória serve de contraponto ao Facebook, que ele considera “muito liberal, com muita baixaria e promiscuidade, [o que] desagrada as famílias”.

O Faceglória, apesar do foco evangélico, permite que pessoas de outras religiões e “ideologias” se cadastrem, desde que sigam e respeitem os princípios da família — usuários homossexuais, paqueras e até fotos de biquíni são aceitos na rede, desde que em “um ambiente familiar e sadio”, diz o criador. Os usuários que violarem essas regras terão a conta excluída por uma equipe que fiscaliza a rede social cristã.

churrasco

Para o sustento da rede, assim como o Facebook, o Faceglória cederá espaço para anunciantes, diz Barros, mas as propagandas devem respeitar os mesmos princípios da família aplicados aos usuários. Ou seja, aquela propaganda d’O Boticário com casais homossexuais não seria aceita.

A rede já conta com 50 mil membros, segundo o criador. Barros, no entanto, acredita que em apenas um ano este número já estará na casa dos 10 milhões. “Em quatro meses não estaremos devendo nada para o Facebook”, diz.

Usando

Por enquanto, o site me parece um tanto confuso: tive problemas para cadastrar a minha conta (a página caiu duas vezes durante a tentativa de cadastro), e a rede não parece contar com uma página pessoal para cada perfil — ao clicar no perfil de alguém, uma pequena caixa se abre no canto direito da tela, revelando algumas poucas informações sobre o usuário. É necessário seguir outras pessoas para ver o que elas postam na rede.

O design do site é quase uma mistura entre Facebook e Orkut com pequenas substituições – o “curtir” se transforma em “amém”, por exemplo. Apesar de ainda não permitir gifs ou montagens com caracteres (nada do peixinho da magia da natureza por enquanto), há algo aqui que foi bastante popular durante o reinado do Orkut: música incorporada. O canto superior direito do site é dedicado a um player nativo que toca música do canal do SoundCloud de cantores gospel, como Aline Barros. É ela, inclusive, a garota propaganda do Faceglória.

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O Faceglória existe pelo menos 2012, mencionado nestas duas matérias. Há também a conta do Twitter deles, aberta naquele mesmo ano:

Ainda assim, o Faceglória não é a primeira rede social religiosa do mercado — em uma busca rápida, é possível encontrar a Rede Social Cristã, o DNA Gospel, o CRISTAOBOOK e até mesmo redes sociais cristãs focadas no relacionamento amoroso, como a rede Divino Amor e a Amor em Cristo.

Resta saber se usar grandes nomes da música gospel, e nomear a rede com um nome tão parecido com o Facebook, fará o Faceglória ter mais sucesso. [El País]