O Fairphone 2 foi anunciado em junho: este smartphone evita o uso de minerais obtidos em zonas de conflito, e também pode ser desmontado para trocar peças. Mais de 20.000 pessoas o compraram na pré-venda, e agora a empresa diz que vai lançá-lo em dezembro.

Um dos destaques do Fairphone 2 é sua modularidade: o Ars Technica testou o protótipo final do dispositivo, e conseguiu desmontá-lo e montá-lo novamente em apenas 20 minutos enquanto gravava vídeo e conversava com Olivier Hébert, diretor de tecnologia da Fairphone. Hébert diz que já desmontou e montou o aparelho mais de cinquenta vezes.



Do Ars Technica:

O smartphone é composto por sete blocos principais: a tampa traseira, bateria removível, tela, chassi principal, módulo de receptor, módulo de câmera traseira, e módulo de alto-falante. Posicionados desta maneira, os componentes que quebram com maior frequência – como a tela – são isolados para melhor facilidade no conserto.

Além de blocos substituíveis, você pode até mesmo mudar componentes dentro dos módulos: por exemplo, um microfone ou um alto-falante. Eles são encaixados por pressão, não colados, e podem ser extraídos com ferramentas simples.

Você pode trocar componentes como a tela, câmera, alto-falante e microfone por alternativas oferecidas pela Fairphone. Todos os parafusos são iguais, então você não precisa lembrar qual vai em cada furo.

O Fairphone 2 tem especificações medianas: processador Snapdragon 801, tela Full-HD de 5 polegadas, 2 GB de RAM e 32 GB de armazenamento com microSD. Há duas câmeras – traseira de 8 megapixels de frontal de 2 MP – mais uma bateria de 2.420 mAh. Ele roda Android 5.1 Lollipop.

São 11 mm de espessura e 168 g com a capinha. Além disso, há uma porta de expansão na traseira que permitirá criar capinhas com recursos adicionais – carregamento wireless, NFC, ou até mesmo células solares integradas.

Fairphone 2 - detalhes (2)

O dispositivo custa € 525 (cerca de R$ 2.200), porque evitar minerais de zonas de conflito e pagar salários justos custa caro: levando em contas os custos de fabricação, investimentos, vendas e impostos, a empresa tem lucro de apenas € 9 por unidade.

Por enquanto, o preço dos módulos para o Fairphone 2 ainda não foi anunciado. No entanto, as peças de reposição para o Fairphone original dão uma ideia do que esperar: a bateria custa R$ 80; a câmera traseira custa R$ 120; e a tela custa R$ 300.

Fairphone 2 - detalhes (3)

A empresa diz que o Fairphone 2 deve durar até cinco anos. Isso talvez seja verdade para o hardware, mas e quanto ao software? Esta é uma startup com apenas 40 funcionários, e oferecer atualizações será um desafio. Eles dizem no blog oficial que isso “depende da cooperação de detentores de licenças e de nossos próprios recursos”.

A Fairphone cogita atualizar o Android em seus dispositivos, e também explora a possibilidade de usar outro sistema, como o Ubuntu ou o Firefox OS. Inclusive, eles já estão trabalhando com a Jolla para que ela traga o Sailfish OS para o Fairphone 2: o sistema tem código aberto e roda apps de Android.

Fairphone 2 - detalhes (1)

A produção em massa do Fairphone 2 começa no mês que vem, para chegar aos clientes em dezembro. Ele está disponível para compra apenas na Europa; a empresa planeja se expandir para mais países no futuro.

[Fairphone e Ars Technica via Liliputing]

Imagens por Fairphone