A campanha de desinformação russa que antecedeu a eleição presidencial americana de 2016 foi maior em escopo e coordenação do que relatado anteriormente, de acordo com uma nova análise feita pela empresa de segurança cibernética americana Symantec.

O Twitter divulgou, em outubro de 2018, um conjunto de dados de supostos agentes de desinformação controlados pela Rússia, totalizando 3.900 contas e 10 milhões de tuítes. Analisados pela Symantec, os dados mostram que as contas demoraram em média 177 dias desde a criação até começarem a de fato publicar, o que revela a paciência envolvida no planejamento da campanha. As contas permaneceram ativas por uma média de 429 dias, até agosto de 2016, quando quase todas pararam de tuitar.

As contas foram usadas para equilibrar a automação e evitar que o Twitter detectasse e excluísse esses perfis, descobriram os pesquisadores.

“A maioria das contas era automatizada, mas frequentemente mostravam sinais de intervenção manual, como postar conteúdo original ou alterar ligeiramente o texto do [conteúdo] republicado, presumivelmente em uma tentativa de parecer mais autêntico e reduzir o risco de exclusão”, escreveu Gillian Cleary, da Symantec. “Contas de fake news foram configuradas para monitorar a atividade de blogs e divulgar automaticamente novas postagens no Twitter. As contas auxiliares foram configuradas para retuitar o conteúdo enviado pelas contas principais”.

Muitas das contas principais fingiam ser jornais locais — em um momento em que notícias locais são destrutivas nos Estados Unidos, mas ainda se mantêm entre as instituições mais confiáveis do país, principalmente em comparação a veículos de mídia nacionais e outras fontes de informação.

A Symantec apresentou alguns dos principais números do estudo abaixo:

A pesquisa mostra como a estratégia funcionou para amplificar a propaganda: @TEN_GOP, uma conta fingindo ser republicanos do Tennessee, foi retuitada mais de 6 milhões de vezes e quase todos os retuítes não eram das contas russas.

A campanha da Agência de Pesquisas da Internet da Rússia (IRA, sigla para Internet Research Agency) “visou os dois extremos do espectro político nos EUA e isso se reflete na quebra de contas influentes”, observou a pesquisa. “As 20 contas mais retuitadas em inglês foram divididas igualmente entre mensagens conservadoras e liberais”.

A campanha encontrou seus alvos em vários campos políticos. Uma pesquisa do ano passado mostrou como algumas contas da agência encorajaram eleitores negros a boicotar a eleição de 2016.

“A enorme escala e o impacto dessa campanha de propaganda eleitoral é obviamente uma grande preocupação para eleitores de todos os países”, escreveram os pesquisadores, “que podem temer uma repetição do que aconteceu no período que antecedeu a eleição presidencial dos EUA em 2016”.