Jogando mais lenha na fogueira da discussão sobre a disputa entre autoridades norte-americanas e a Apple, o tema ganhou um novo capítulo recentemente. De acordo com reportagem da Forbes, o FBI usou o rosto de um suspeito para desbloquear um aparelho — um iPhone X — por meio do Face ID. E, segundo a publicação, esse foi o primeiro caso de desbloqueio com o rosto de um suspeito em qualquer agência de investigação no mundo todo.

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O caso aconteceu em agosto deste ano. Durante um mandado de busca e apreensão, o FBI entrou na casa de Grant Michalski, acusado de enviar e receber pornografia infantil. O mandado permitiu a busca no computador de Michalski em busca de provas, e, durante o processo, os agentes capturaram o iPhone X do acusado e pediram que ele ficasse de frente para o aparelho para desbloqueá-lo por meio do Face ID, e Michalski obedeceu.

Os agentes então colocaram o aparelho no modo avião e examinaram seu conteúdo, vasculhando pastas e arquivos manualmente e registrando o que encontravam tirando fotos do dispositivo.

Apesar da cooperação do acusado, o FBI não conseguiu obter todos os dados do celular, como uso de aplicativos e arquivos deletados. Isso porque não sabiam a senha do aparelho de Michalski. Os agentes então pediram e conseguiram um segundo mandado e, dessa vez, não precisaram do desbloqueio por Face ID ou da senha; aparentemente, as agências envolvidas na investigações dispõem de dispositivos que possibilitam contornar a senha de um aparelho.

Demandas como essa cresceram nos últimos tempos. Duas empresas são conhecidas por venderem unidades de caixas desbloqueadoras de telefones, a Cellebrite e a Grayshift, ambas com negócios feitos com o governo dos Estados Unidos recentemente. A Grayshift, por exemplo, fechou um acordo de US$ 484 mil com o Serviço Secreto dos EUA recentemente. O órgão também gastou US$ 780 mil com a Cellebrite em setembro.

Na disputa entre FBI e Apple em torno da criptografia de dispositivos, que já teve alguns capítulos relevantes de tentativa da agência de obter acesso a aparelhos de suspeitos, existe uma preocupação fundada da empresa de que conceder o acesso abra um precedente perigoso sobretudo para habitantes de países cujos governos desrespeitam os direitos humanos.

Quanto a Michalski, a acusação formal pela posse e compartilhamento de pornografia infantil foi feita ainda em agosto, e agora ele enfrenta o devido processo penal.

[Forbes via The Verge]

Imagem do topo: Apple