As autoridades norte-americanas pediram publicamente para a Apple ajudar a desbloquear a segurança de dois iPhones pertencentes a Mohammed Saeed Alshamrani, um cidadão saudita que atirou contra pessoas na base naval de Pensacola, na Flórida (EUA). No entanto, uma reportagem da Forbes descobriu que o FBI recentemente conseguiu desbloquear um smartphone da Apple sem a ajuda da empresa da maçã.

De acordo com a reportagem, investigadores do FBI de Ohio usaram um aparelho chamado GrayKey para desbloquear um iPhone 11 Pro Max. No caso, o aparelho pertencia a um suspeito chamado Baris Ali Koch, que supostamente ajudou o irmão condenado a deixar os Estados Unidos com seus documentos.

O site norte-americano confirmou com o advogado de Koch a informação de que o FBI conseguiu ter acesso ao seu dispositivo, e que seu cliente não cedeu em nenhum momento senha ou o seu rosto para desbloqueio.

Detalhe: tudo isso ocorreu eu outubro de 2019, e o tiroteio da base naval de Flórida foi em dezembro de 2019. Sem contar que os aparelhos do atirador de Pensacola são um iPhone 5 e iPhone 7 — portanto, modelos que, em tese, também poderiam ser desbloqueados pela ferramenta. Um possível problema enfrentado pelo FBI no processo é que os dispositivos foram atingidos por balas de revólver. Porém, a polícia diz ter recuperado os aparelhos.

Seja como for, as autoridades pediram ajuda, fazendo até que o presidente Donald Trump se pronunciasse, e a Apple cedeu aquilo que ela tinha, no caso alguns dados do iCloud. Porém, nada de ajuda para desbloquear os iPhones.

Em um comunicado enviado ao Gizmodo US, a Apple diz o seguinte:

“Sempre defendemos que não existe isso de backdoor [porta de entrada] apenas para os caras do bem. Backdoors também podem ser exploradas por aqueles que ameaçam nossa segurança nacional e a segurança de dados de nossos consumidores. Hoje, as autoridades têm mais acesso a dados do que nunca, portanto, os americanos não precisam escolher entre enfraquecer a criptografia e resolver investigações. Consideramos fortemente que a criptografia é vital para proteger nosso país e os dados de nossos usuários”

Qual é a do GrayKey?

O GrayKey já é um velho conhecido das autoridades norte-americanas. Falamos dele pela primeira vez em 2018 em meio à discussão sobre o desbloqueio dos atiradores de San Bernardino, nos EUA. No fundo, ele é uma espécie de caixinha com saídas de cabos Lightning, que consegue descobrir o código de desbloqueio do iPhone em duas horas, embora possa demorar até três dias em casos de senhas maiores.

Caixinha GrayKeyA caixinha GrayKey. Crédito: Malwarebytes

Depois de quebrar a senha, a caixa pode ser usada para baixar o conteúdo de um dispositivo ou para analisar e descriptografar o keychain do dispositivo.

Tela com senha de iPhone após ser submetido ao GrayKeyTela com senha de iPhone após ser submetido ao GrayKey. Crédito: Malwarebytes

Após toda a repercussão sobre o funcionamento do item, ficamos sabendo que a Apple planejava introduzir uma nova medida de segurança via iOS que bloqueava o acesso de dados via USB uma hora após o celular ter sua tela bloqueada. A medida, em tese, tornaria o iPhone uma caixa preta. No entanto, parece que os desenvolvedores da GrayKey já conseguiram superar isso.

De qualquer jeito, parece que as autoridades dos EUA estão querendo mesmo é que a Apple facilite as coisas e forneça uma espécie de “porta de entrada” para acessar os iPhones de suspeitos. Do lado da empresa da maçã, eles continuam dizendo que se abrir uma brecha para o governo, pessoas mal-intencionadas também vão descobrir. Então, a companhia deve lutar na justiça o quanto puder para manter os aparelhos seguros.

[Forbes via MacRumors]