A nova Internet (ou pelo menos a nova versão do IP que permite que a Internet funcione) foi disponibilizada no começo do mês. Novinha em folha, é o futuro das nossas vidas online. Mas agências do poder judiciário dos EUA estão preocupadas com a possibilidade dela ser usada de formas… intrigantes por criminosos virtuais.

Não é que o IPv6 seja menos seguro que seus antecessores; na realidade tem a ver com o lado administrativo do novo protocolo. O Registro Americano de Números de Internet (ARIN na sigla original) liberará novos endereços em um cronograma muito mais espaçado (a cada 10~15 anos) e isso significa que os provedores de acesso terão menos incentivos para manter seus bancos de dados de IPs públicos atualizado. Como explicou um porta-voz do FBI ao Cnet:

“Um problema talvez decorra da quantidade de informações de registro que são mantidas pelos provedores e do total de relatórios de históricos que existe. Hoje há registros completos sobre quais endereços IPv4 são ‘mantidos’ por um operador. Dependendo de como o sistema de IPv6 for distribuído, aquele registro talvez seja ou talvez não seja suficiente para o sistema judiciário identificar que dispositivo está acessando a Internet.”

Em termos de simples, isso significa que a justiça terá mais dificuldade em rastrear endereços IP através de logs disponíveis publicamente — resultando na necessidade da expedição de mandados e outros documentos do tipo para terem acesso a informações dos provedores. O processo será mais complexo e longo. A menos que, claro, o FBI possa fazer algo para resolver o problema. [Cnet via The Verge. Foto: nrkbeta/Flickr]