Exatamente há um ano, o Google Chrome surgiu do nada para reacender a guerra entre os navegadores. Hoje ele já está na sua versão 4.0 e é âncora de um esperado sistema operacional. Vamos dar uma olhada na sua trajetória pelos últimos 12 meses.

De 1 a 4 de Setembro
A surpreendente revelação

Não há mais muitos grandes produtos tecnológicos, seja software ou hardware, que são desenvolvidos em segredo total. Mas quando o Chrome foi oficialmente anunciado no dia primeiro de setembro, com um beta disponível no dia seguinte, pegou o mundo de surpresa. Se Philip Lenssen, do blog Google Blogoscoped, não tivesse acidentalmente recebido e publicado os quadrinhos explicativos da equipe do Chrome, os próprios desenvolvedores teriam sido os primeiros a dar a notícia — junto com uma matéria da Wired, que era pra ter sido exclusiva.

Logo depois da manhã em que ele se tornou disponível, nós demos o primeiro passeio pelo navegador e ficamos impressionados com o obsessivo foco em liberar espaço para a página, nas capacidades de busca e, acima de tudo, em um senso de velocidade real, palpável. Os leitores votaram, e a característica favorita de todos era o mínimo tamanho, interface e consumo de memória, mas muitos ainda juravam fidelidade às extensões do Firefox.

Nós entendemos perfeitamente a vontade dos usuários do Firefox de não serem deixados de lado na grande estreia do Chrome, então preparamos um guia de como trazer as melhores funções do Chrome para o navegador da raposa. Aqueles que decidiram usar o Chrome como navegador primário receberam a afirmação de que o Google não estava tentando capturar os seus dados de navegação (não mais do que o normal, ao menos), e descobriram que, apesar de demorar um pouquinho para iniciar e não ser um campeão no JavaScript, o Chrome era extremamente competente com renderização de CSS.

De 5 a 18 de Setembro
Que comecem os ajustes

Quando geeks de verdade conseguem um novo navegador para brincar, pode ter certeza que eles vão fazer com que ele rode exatamente do jeito que eles quiserem. O How-To Geek descobriu como conseguir mais sugestões na Omnibox usando o primeiro de muitos e muitos switches por linha de comando que ainda apareceriam. Não demorou muito para a Gina, do LifeHacker, conseguir bloquear publicidade no Chrome, e ela eventualmente publicou um guia fácil do "power user" do navegador. Nós também demos uma olhada no Greasemetal, uma ferramenta de user scripts para o Chrome, e mudamos a string user agent do navegador para pular os sites que fingiam não gostar dele.

15 de Setembro
Chegada extraoficial ao Mac OS X e Linux

O pessoal da CodeWeavers, responsáveis por fazer o Microsoft Office ser utilizável no Linux, oferece builds personalizadas do CrossOver Chromium para Mac e Linux. É bastante mal-acabado, mas prova o entusiasmo das pessoas por este novo navegador.

 

 

 

19 de Setembro
Começa-se a falar de extensões

Foi música para os nossos ouvidos quando a InformationWeek conseguiu arrancar dos desenvolvedores a promessa de que o Chrome terá add-ons, e acontece que mais de 28% dos usuários estavam prontos para migrar assim que as extensões aparecessem. Desde então, todo campo de comentários sobre algum post falando do Chrome tem um usuário do Firefox deixando bem claro que de maneira alguma, nem que lhe paguem, vai mudar para o Chrome enquanto ele não tiver extensões.

22 de Setembro
Chrome como um sistema operacional? Absurdo!

Nós apontamos um texto de Doc Searls falando sobre como o Chrome, o Gears e o Android poderiam "cumprir a promessa da Netscape de ter o navegador como sistema operacional, com webapps online e offline substituindo os burros de carga de um desktop".

19 de Outubro
Olá, Greasemonkey rudimentar!

Deu um trabalhão para fazer funcionar, mas foi o primeiro passo para satisfazer a vontade dos intrépidos hackers de JavaScript  de deixar a internet cada vez melhor.

De 3 de Novembro a 10 de Dezembro
Bookmarks e passinhos de formiga

Como disse o diretor do Firefox, é fácil "jogar tudo pro alto e não se preocupar com nada" quando se constrói um novo navegador a partir do zero. Este foi o caso quando o Chrome apresentou um sistema de gerenciamento de favoritos e recebeu um boa cobertura da mídia por causa disso. Enquanto isso, builds da plataforma-raiz open source do Chrome, o Chromium, podiam ser vistos rodando mal e porcamente em desktops Linux, e em 10 de dezembro a engine V8 de JavaScript do Chrome já estava quase pau a pau com a nova engine TraceMonkey do Firefox 3.5 em termos de velocidade.

De 11 de Dezembro a 8 de Janeiro
Chrome sai do Beta, e o Google o promove até não poder mais

Foi mais jogada de marketing do que um grandioso novo release, mas o Chrome abandonando o seu status de beta deu uma chacoalhada no campo dos browsers. Um dia depois o Google substituiu o Firefox pelo Chrome no seu pacote de softwares Google Pack, e duas semanas depois colocou um aviso no GMail para usuários do Internet Explorer, dizendo que o Chrome (ou o Firefox) era duas vezes mais rápido. Logo depois disso o Chrome saiu em versão2.0 "pré-beta", e ninguém mais sabia qual versão o Google considerava a mais nova.

 

 

13 de Fevereiro
Primeira screenshot oficial do Chrome no Mac

Tudo o que ela faz neste momento é abrir, carregar elementos visuais do Mac OS e travar. Mas, ei, ela existe!

26 de Fevereiro
Chrome vence alguns treinos classificatórios

Na ocasião do lançamento do beta do Safari 4, nós colocamos os navegadores lado a lado em testes de velocidade, e o Chrome se sai vencedor em JavaScript, CSS Parsing e, tirando algumas coisas estranhas com o Internet Explorer 8, também em tempo de carregamento de páginas.

De 17 a 22 de Março
Novo beta pisa no acelerador (e traz extensões?)

Usuários do canal de beta do Chrome percebem melhorias no JavaScript na casa dos 25 a 33 por cento, dependendo do teste. Sob o capô, achou-se uma engine de extensões de verdade (oba!), mas ela não permite fazer nada por enquanto, além de ser bem trabalhosa de instalar (ah…).

Em outro front, o Google ganha uma ótima dose de publicidade gratuita quando o Chrome foi o último navegador a resistir ao desafio de hackers Pwn2Own, já que os seus processos de abas individuais em sandbox tornam muito difícil para um hacker se embrenhar profundamente no sistema em que o navegador está rodando. E já que estavam bem na fita mesmo, os desenvolvedores do Google aproveitaram para divulgar alguns experimentos malucos de web, todos feitos em JavaScript e rodando melhor, claro, no Chrome:

23 de Março
User Scripts tornam o Chrome "melhor"

Mais um release beta do Chrome em Março permite a ativação de user scripts com um switch de linha de comando, e o How-To Geek, entusiasta do Greasemonkey, junta uma porção de scripts de Gmail compatíveis com o Chrome em uma versão do plugin Better Gmail para o Chrome, tornando a migração mais possível para os milhares de fãs dessa extensão do Firefox.

 

 

 

De 30 de Março a 7 de Abril
Aquele beta do Mac? Está chegando no terceiro trimestre

Isso foi o que o Google contou ao Ars Technica, acrescentando que eles ficariam "bastante infelizes" se o tal beta não aparecesse nesse prazo. Menos de uma semana depois, aparece mais um build tosco e não oficial do Chromium.

24 de Abril
Bem-vindo ao clube

O Chrome envia uma atualização de segurança instantânea para todos os canais, a fim de corrigir um "buraco de segurança de alta prioridade", decretando que o Chrome passava a ser oficialmente um alvo de segunda classe para moleques-gênios-do-mal de 14 anos.

De 7 a 27 de Maio
Amostras de extensões, mais velocidade e uma versão portátil

Os primeiríssimos experimentos com extensões para o Chrome são encontrados na barra de status, funcionando basicamente como indicadores e bookmarklets metidos a besta. O Firefox adota a ideia dos multi-processos, e o Chrome empurra para o release estável toda a velocidade da sua versão beta 2.0. Menos de uma semana depois, um blogueiro alemão compila e disponibiliza uma versão portátil para aqueles que quiserem testar o navegador sem instalar, ou então levar o Chrome em um pendrive ou coisa assim.

4 de Junho
Leitores do LifeHacker começam a curtir em massa o Chrome

É o "Browser Favorito" de 20% deles em uma enquete. É claro que este resultado não reflete a escolha dos usuários normais, mas lembre-se: os leitores do LifeHacker são o tipo de pessoa que arruma e configura os computadores de parentes e amigos, eventualmente forçando-os a ficar longe do IE. 

 

 

 

 

5 de Junho
Os alphas de Mac e Linux que o Google não quer que você baixe

Foi meio sério e meio de brincadeira que o Google lançou versões alpha para Mac e Linux, ao mesmo tempo em que assegurava que nada além da renderização de páginas funcionava nelas. Esta renderização, no entanto, era rápida pra cacete, e muita gente quis testar.

 

 

 

8 de Julho
Chrome OS é anunciado

Desta vez as pessoas sabiam que isso ia de fato acontecer, mas isso não significa que alguém tenha uma mínima ideia de como um Sistema Operacional do Chrome funcionaria ou se pareceria. Nós fizemos nossos pedidos e tivemos as esperanças abaladas por screenshots falsas, mas todos sabemos que a faceta "conteúdo na frente" do Google é mais do que uma obsessão de design: é como o Google planeja deixar o seu espaço de trabalho na web.

De 31 de Julho a 10 de Agosto
Pequenos (mas úteis) ajustes

O Linux ganha suporte a plugins, enquanto o Windows ganha melhor suporte ao Win 7 (com integração às jumplists) e updates para o HTML 5. O Chrome para Windows e Mac ganha 30 temas fáceis de instalar.

17 de Agosto
O Google e a Xmarks querem sincronizar seus favoritos

Eis a primeira extensão do Chrome realmente útil: uma versão do Xmarks, o bacaníssimo sistema de sincronia de favoritos que agora tem versões mais ou menos avançadas nos quatro grandes navegadores. Alguns minutos depois que o Adam estala seus dedos e pensa em finalizar o expediente, o Google anuncia que a sua versão de desenvolvimento tem sincronia de favoritos integrada. A oferta do Google de múltiplos serviços em um só login é tentadora, mas para aqueles que ainda não estão prontos para ir de Google, o Xmarks é a escolha óbvia.

Últimas 48 horas

Um ano depois, as notícias continuam chegando. Uma conversa de desenvolvimento do Google indica um esquema de notificações desktop, o Chrome para Windows ganha um botão de favoritos e a aparição de uma única pasta faz com que blogueiros se perguntem se o Chrome OS terá um único e monolítico login.

Tudo isso em apenas um ano, e sobre um browser que só está oficialmente disponível em um sistema operacional. Feliz aniversário, Chrome! Esperamos que você ainda traga muitas ótimas inovações para o mundo da navegação de internet.

O que te surpreendeu mais no desenvolvimento do Chrome até agora? Como você esperava que ele estivesse em um ano, e onde espera que ele estará em setembro de 2010? Pegue uma fatia de bolo e deixe sua opinião nos comentários.