No rescaldo do escândalo com a Cambridge Analytica, o Facebook prometeu aos usuários uma ferramenta que lhes daria algum poder sobre o extensivo rastreamento de dados. Isso foi há sete meses.

Em maio, Mark Zuckerberg escreveu em sua página pessoal que a empresa iria lançar um recurso chamado Clear History. Isso daria aos usuários a opção de ver quais sites e aplicativos de terceiros enviam dados do Facebook com base em suas atividades, bem como impedir que os dados sejam associados à sua conta do Facebook e impedir que a rede social armazene esses dados em conexão com sua conta no futuro. Como observou Zuckerberg, o histórico de navegação dos usuários inclui informações como “o que você clicou, websites que você visitou e assim por diante”.

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“Aplicativos e sites que usam recursos como o botão Curtir ou o Facebook Analytics nos enviam informações para melhorar o conteúdo e os anúncios”, disse Erin Egan, vice-presidente do Facebook e diretora de privacidade, em um post publicado em maio. “Também usamos essas informações para melhorar sua experiência no Facebook.”

Egan disse que seriam necessários “alguns meses” para criar o Clear History, mas David Baser, chefe da equipe de produtos de privacidade do Facebook, diz agora à Recode que “está demorando mais do que inicialmente imaginávamos” para desenvolver a ferramenta. Os usuários terão que esperar até o ano que vem pelo recurso, que Baser disse que será lançado “para testes até o fim do primeiro semestre de 2019”.

De acordo com Baser, o motivo do recuo é técnico — a empresa diz que encontrou dificuldades para consolidar de maneira fácil e eficiente todos os dados associados a cada usuário individual.

Também é importante observar que, embora esse recurso seja certamente um avanço em capacitar os usuários a terem algum controle sobre sua privacidade, isso não deve ser confundido com a capacidade de aniquilar totalmente o histórico de navegação dos servidores do Facebook. Limpar seu histórico elimina qualquer informação de identificação da conta de um indivíduo, mas o Facebook diz que os dados anônimos ainda existirão.

“Ainda forneceremos aplicativos e websites com análises agregadas — por exemplo, podemos criar relatórios quando recebemos essas informações para que possamos dizer ao desenvolvedor se os aplicativos deles são mais populares entre homens ou mulheres em um determinado grupo etário”, disse Egan em maio. “Podemos fazer isso sem armazenar as informações de maneira associada à sua conta e, como sempre, não informamos aos anunciantes quem você é.”

Em um comunicado enviado ao Gizmodo reconhecendo o atraso, Baser disse: “Queremos criar algo que seja realmente útil para todos no Facebook, e preferimos demorar um pouco mais e acertar o que estamos fazendo, sem pressa. Um dos desafios que enfrentamos é que, quando armazenamos informações fora do Facebook, organizamos por data, não por perfil. O Clear History mostrará informações organizadas por perfil. Para fazer isso instantaneamente, de forma que as pessoas possam controlá-lo, precisamos criar uma nova maneira de processar informações em nossos nossos sistemas.”

[Recode]