A vida dos fãs de games que vivem na China está ficando cada vez mais difícil. Dias após o governo diminuir o limite de horas semanais que menores de 18 podem jogar online, outro golpe certeiro veio — dessa vez, no número de títulos disponíveis para compra.

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A JD.com, segunda maior plataforma de e-commerce do país, atrás apenas da Alibaba, retirou 86 jogos de seu catálogo online. Entre os títulos que saíram de circulação estão nomes gigantes do mercado de games, como Call of Duty, Animal Crossing: New Horizons, Fifa 21, Super Mario Maker 2, The Last of US Part 2, além de toda a saga GTA.

De acordo com o jornal South China Morning Post, de Hong Kong, a Jd.com anunciou, em um comunicado publicado nesta sexta-feira (3), que pretende banir qualquer jogo que viole a constituição ou leis de segurança chinesas. Entram aí jogos que promovam pornografia, violência, apostas e etc.

Pensando por essa lógica, o corte de títulos na linha de Call of Duty e GTA é até entendível. Não dá para saber ao certo, no entanto, a associação que games como Super Mario e Fifa 21 tem com esses temas sensíveis. O fato é que, com a mudança, a JD.com sinaliza ao governo que pretende se adequar ao novo momento da indústria de games no país.

Segundo as novas regras, gamers com menos de 18 anos, só poderão jogar entre 20h e 21h às sextas, sábados, domingos ou feriados. As restrições, segundo o governo, refletem a preocupação quanto ao vício em jogos entre adolescentes do país. Isso fez com que a China fechasse o cerco contra as gigantes do setor nas últimas semanas.

Empresas de jogos vão ser fiscalizadas mais de perto para que dificultem o acesso dos jovens fora dos horários estabelecidos. Companhias não poderão ter serviços que não cobrem o nome real dos usuários na hora de fazer o registro — uma forma de acirrar ainda mais o controle.

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Se o ambiente online conta com ferramentas mais severas de controle, o mesmo não dá para dizer da jogatina que acontece sem conexão com a internet.

Boa parte do mercado de jogos chinês, afinal, sobrevive de forma a contornar essa fiscalização severa. Jogadores hardcore costumam importar seus jogos de lojas online no exterior e negociar a compra com importadores paralelos em sites de e-commerce. Jogos não licenciados, da mesma forma, também acabam operando sob o radar — o que dificulta a marcação de órgãos de controle.

[SMCP]