De acordo com a American Physical Society, apenas 15% dos cientistas em início de carreira se identificam como LGBTQIA+. Um estudo realizado pela Universidade de Utah, nos Estados Unidos, justifica esse número ao mostrar a evasão dos pesquisadores que pertencem ao grupo.

De acordo com os cientistas, há dois grandes fatores que influenciam uma pessoa a deixar a física: o clima organizacional à qual pertencem e o comportamento excludente – tanto o sofrido quanto o observado.

A equipe chegou a esta conclusão após coletar informações de 324 físicos LGBTQIA+. Alguns dos participantes também se encaixavam em outros grupos minoritários étnicos e raciais. 

De acordo com o estudo, 20% dos participantes sofreram exclusão, enquanto 40% deles observaram o comportamento. Mulheres e pessoas não conformistas de gênero – que vão contra as normas de gênero tradicionalmente impostas – são três a quatro vezes mais propensas a experimentar a exclusão. 

Quase metade das pessoas trans entrevistadas passaram por episódios de exclusão, em comparação com 19% de pessoas cisgênero. Este grupo relatou barreiras institucionais, dificuldade em utilizar o banheiro e até mesmo assédio direto. 

O fato do profissional ser ou não assumido como parte do grupo LGBTQIA+ também impactou em sua vivência, com aqueles que não haviam se aberto para os colegas se sentindo mais desconfortáveis. Pessoas negras também relataram maior incômodo. 

Os pesquisadores da Universidade de Utah devem agora se concentrar em encontrar maneiras de manter os físicos LGBTQIA+ dentro do campo de atuação. Há vários nomes relevantes de pessoas LGBTQIA+ dentro da ciência, como Alan Turing e Sally Ride. Muitos outros podem estar passando em branco devido ao preconceito enfrentado.