Não é à toa que a Floresta Amazônica seja um dos locais mais cobiçados do mundo. Além de ter flora e fauna incrivelmente ricas, a mata é um local cercado de mistérios.

Ao que parece, um desses enigmas foi resolvido após 50 anos — e vários cientistas quebrando a cabeça. Trata-se da identificação de uma ‘planta misteriosa’, que não pertencia a nenhuma família já registrada até então.

Foi em 1973 que Robin Foster, curador aposentado do Museu Field, de Chicago, e agora pesquisador do Instituto Smithsonian de Pesquisas Tropicais tropeçou em uma árvore do Parque Nacional Manu, no Peru, que ele nunca tinha visto antes. O cientista contou ao SciTechDaily que, quando avistou a planta pela primeira vez, a primeira coisa que chamou atenção foram seus frutos. Segundo ele, eles eram “parecidos com uma lanterna chinesa laranja e suculenta, e continham várias sementes’.

Na época, ele coletou algumas amostras da planta e da fruta para levar aos seus amigos, que também não faziam ideia do que se tratava. 50 anos depois, eles finalmente conseguiram analisar o DNA da árvore e desvendar suas origens. As descobertas foram publicadas na revista científica Taxon.

O Mistério de Manu

As amostras da planta ficaram no herbário do Museu Field, uma biblioteca de espécimes de plantas secas, durante anos, depois que Foster enviou algumas amostras para Nancy Hensold, uma botânica do Field Museum. “Quando você tem uma planta que ninguém pode colocar em uma família, ela pode cair no esquecimento da comunidade científica”, disse Hensold.

Uma foto da árvore misteriosa na floresta amazônica. Foto: Patricia Álvarez-Loayza

Foi quando a equipe conseguiu financiamento para estudar a planta. Os pesquisadores tentaram avaliar o DNA da planta seca, mas não conseguiram. Precisaram da ajuda de Patricia Álvarez-Loayza, cientista que trabalha no Parque Nacional Manu.

Para a surpresa de Hensold e da equipe, a análise de DNA indicou que o parente mais próximo da planta misteriosa pertencia à família Picramniaceae. Mas, ainda assim, não havia nenhuma característica morfológica da planta que pudesse encaixá-la nesse grupo, pelo menos à primeira vista. A botânica explicou que isso só foi possível quando passaram a olhar mais de perto a estrutura das flores.

Wayt Thomas, curador emérito do Jardim Botânico de Nova York e especialista em Picramniaceae, foi quem liderou o estudo’. Depois de finalmente analisar o DNA da planta e identificar a qual família ela pertencia, sua equipe conseguiu dar um nome científico para a árvore: Aenigmanu alvareziae.

Aenigmanu significa “mistério de Manu”. Já o nome da espécie (alvareziae) foi uma em homenagem a Álvarez-Loayza, cientista que coletou os primeiros espécimes usados ​​para a análise.

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Foster explica que as plantas são pouco estudadas, especialmente plantas de florestas tropicais, mas principalmente as plantas da Amazônia. O cientista aponta que, para entender as mudanças que estão ocorrendo nessas áreas e restaurar áreas desmatadas, as plantas são o objeto de estudo mais importante.

[SciTechDaily]