Pesquisadores da Universidade do Maine, Estados Unidos, descobriram que as Ilhas Malvinas, no sul do Oceano Atlântico e alvo de disputa entre Inglaterra e Argentina nos anos 80, provavelmente foram palco de atividade humana muito antes dos europeus pisarem pela primeira vez no arquipélago no final do século 17. Os resultados foram publicados na Science Advances

Nas três expedições na região nos anos de 2014, 2016 e 2018, os cientistas, liderados pela pesquisadora Kit Hamley, coletaram restos de animais e registros de carvão vegetal. Os especialistas analisaram os fósseis por diversos métodos, incluindo datação de radiocarbono. 

Os objetos achados lá indicam que indígenas sul-americanos teriam viajado para essas ilhas entre os anos 1275-1420 d.C. Um sinal da atividade humana desse período vem de um registro de carvão vegetal de oito mil anos coletado em uma coluna de turfa em New Island, no sudoeste da região.

Além do disso, a equipe encontrou um dente de uma espécie extinta de raposa ou lobo das Malvinas, conhecida como warrah (Dusicyon australis), que data de 3450 a.C., o fragmento mais antigo já descoberto da espécie.

A pesquisa aponta que esse predador era o único mamífero terrestre que vivia no arquipélago quando os europeus chegaram lá. Em meados do século 19, a espécie foi extinta pela caça descontrolada.

Por muito tempo, a origem da raposa foi questionada pela comunidade científica. Contudo, a equipe de Hamley sugere em seu estudo que o animal poderia ter sido domesticado pelos povos indígenas da América do Sul, que depois o teriam levado às ilhas durante suas breves estadias.

A análise isotópica e a datação por carbono determinaram que a espécie se alimentava de “predadores marinhos do topo, como leões marinhos e focas”, uma dieta semelhante à dos humanos que viviam na América do Sul nos tempos pré-históricos.

Hamley acredita que a introdução de um predador do topo da cadeia alimentar como o warrah, poderia ter implicações profundas para a biodiversidade das ilhas, que abrigam aves marinhas em nidificação, como pinguins, albatrozes e corvos-marinhos. 

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De acordo com a pesquisadora, isso também muda a história do relacionamento humanos dos humanos com os caninos. “Sabemos que os indígenas sul-americanos domesticaram raposas, mas este estudo ajuda a mostrar como esses animais eram potencialmente importantes para as comunidades que remontam a milhares de anos.”

[SciTechDaily]