Paleontólogos encontraram fósseis de mamíferos antigos em meio à paisagem seca e coberta de arbustos do sul do Wyoming, Estados Unidos. Três dessas descobertas pertenciam a espécies até então desconhecidas, e todos os animais no local dão uma visão diferente sobre a evolução dos mamíferos a partir da morte dos dinossauros, depois da queda do asteroide há 66 milhões de anos.

Os mamíferos no local datam do início de Puercan – cronologia norte-americana das idades dos mamíferos terrestres, ou basicamente, milhares de anos após a colisão do asteroide com a Terra. As três novas espécies são Miniconus jeanninae, Conacodon hettingeri e Beornus honeyi; todas foram nomeadas, mesmo que parciaumente, em homenagem aos paleontólogos que os desenterraram, embora o último também tenha o nome de Beorn, um personagem de O Hobbit que pode se transformar em um urso. Beornus honeyi é a maior das três novas espécies, sendo aproximadamente do tamanho de um gato. Os fósseis foram diferenciados por suas mandíbulas e dentes.

“Estudos anteriores em faunas de mamíferos norte-americanos dos primeiros 320 mil anos após o evento de extinção em massa, encontraram pequenos mamíferos do tamanho de camundongos que eram bastante generalizados na morfologia molar. Isso levou ao entendimento de que os mamíferos ainda estavam se recuperando, e não se diversificando rapidamente, após o evento de extinção em massa”, disse Madelaine Atteberry, paleontóloga da Universidade do Colorado, por e-mail. Atteberry é a principal autora do novo estudo que descreve os fósseis, publicado no Journal of Systematic Paleontology.

“No entanto, a primeira fauna do Paleoceno na Great Divide Basin, Wyoming, de onde vêm nossas novas espécies de mamíferos, é uma história diferente”, acrescentou Atteberry. “Tem mais diversidade do que poderíamos prever para este período de tempo, o que sugere que não podemos realmente generalizar a recuperação dos mamíferos após a extinção dos dinossauros”.

Sul de Wyoming Foto: Madelaine Atteberry

O local do fóssil foi escavado por Jim Honey, Jeannine Honey e Malcolm McKenna entre 2001 e 2011, depois que foi mapeado por Robert Hettinger do Geological Survey, cujo nome está ligado ao recentemente descrito Conacodon hettingeri. Agora inundada por arenito seco (rocha que se forma com decomposição de areia e processo de cimentação), a região era uma planície aluvial (pouco inclinada) e coberta por riachos e rios entrelaçados quando os mamíferos viviam lá.

Ao longo de uma década de trabalho no local, os paleontólogos encontraram mais de 420 fósseis de mamíferos. Ainda não se sabe como tantos óssos foram parar em um lugar, embora uma das teorias da equipe seja que partes do rio expeliram sedimentos, prendendo animais (vivos e mortos) que eventualmente fossilizaram.

Todas as três novas descobertas são condilares, um tipo de mamífero antigo cujas descidas eventualmente produziram ungulados modernos: animais como camelos, hipopótamos, cavalos e rinocerontes. Atteberry disse em um comunicado que a diversidade dessas novas espécies mostra como os mamíferos lidaram com a extinção dos dinossauros rapidamente, capitalizando a ausência de animais maiores, desenvolvendo novas fontes de alimento e se expandindo para novos ambientes.

É provável que mais espécies dos depósitos fósseis sejam descritas – os paleontólogos ainda não tiveram tempo para classificar as centenas de ossos que foram coletados lá. Esperamos por mamíferos antigos ainda maiores, pois parece que nossos primeiros parentes não perderam tempo em ficar maiores e mais ousados depois que seus senhores dinossauros sumiram do mapa.