O fóssil da aranha Cretapalpus vittari, cujo nome homenageia a cantora Pabllo Vittar, foi devolvido ao Brasil pela Universidade do Kansas, dos Estados Unidos.

Além da aranha fossilizada, o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, no Ceará, recebeu outras 35 peças que estavam em solo norte-americano. Os vestígios tinham saído do Brasil para estudo e a instituição americana os repatriou voluntariamente.

Foto: Renan Bantim via Twitter

Matthew Downen, que se identifica como não-binário, e Paul Selden, foram os peleontólogos que batizaram os registros como forma de homenagear a cantora e drag queen, que tem se destacado no cenário internacional.

Segundo disse Selden em entrevista à Folha de S.Paulo, o material teve as autorizações de coleta e exportação cedidas pelo órgão então responsável, o antigo DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral, hoje representado pela Agência Nacional de Mineração), ainda na década de 1990.

A espécie Cretapalpus vittari é a mais antiga representante da família Palpimanidea, grupo de aranhas com um primeiro par de pernas bem alongadas e caçadoras ativas por natureza — ao contrário de espécies como a caranguejeira, que possui o hábito de esperar por suas presas. 

Downen explicou que a espécie C. vittari surgiu entre 10 a 13 milhões de anos antes da família Palpimanidae. Além disso, disse ele, o fóssil pertence à família Chediminae, que era desconhecida na América do Sul, e descrita a partir de registros na África, sudeste da Ásia e no Oriente Médio. Acredita-se que essas aranhas se dispersaram pela Terra antes da separação do Gondwana — a união dos continentes em uma única camada de terra.