Qual é a criatura mais “resistente do planeta”? Errou se você pensou qualquer outra coisa diferente dos tardígrados. Eles são capaz de suportar níveis altíssimos de radiação, secas prolongadas, temperaturas congelantes e viver em locais onde a pressão é gigantesca.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade Harvard publicou recentemente um estudo que descreve a descoberta de um fóssil de tardígrado — da espécie Paradoryphoribius chronocaribbeus –, encontrado na República Dominicana. Os achados foram publicados na revista Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences. 

Conhecidos também como ursos d’água, os tardígrados são um filo de microanimais segmentados de oito patas. O fóssil em questão estava aprisionada em um pedaço de âmbar, e tem 16 milhões de anos de idade. Tardígrados são que conseguem sobreviver a temperaturas de até 150ºC, ou em ambientes extremamente frios, até -272ºC. 

No Twitter, Phil Barden, pesquisador envolvido no estudo, explicou que tardígrados começaram há 500 milhões de anos. No entanto, de acordo com os pesquisadores, a descoberta de animais fossilizados dessa espécie é algo muito raro. O exemplar mais recente é o terceiro tardígrado fossilizado já descoberto e o único fóssil do Cenozóico — era geológica atual da Terra, representando os últimos 66 milhões de anos da história do planeta — até o momento. 

Foto: Phil Barden via Twitter

Os tardígrados na natureza

Apesar de haver mais de mil espécies diferentes no filo, encontrar tardígrados em bom estado de conservação é algo extremamente raro. Isso acontece por conta do seu tamanho — cerca de 0,3 a 0,5 milímetro de comprimento — e estrutura corporal. Eles não possuem partes rígidas ou feitas de minerais como o calcário — como ossos e exoesqueleto. Não à toa, só foram descobertos três fósseis até agora. 

Ainda assim, eles estão em abundância na natureza. Em entrevista ao Vox, O biólogo Byron Adams, da Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos, explicou que basta pegar um pedaço de musgo e você encontrará tardígrados. “No solo, tardígrados, no oceano? A mesma coisa. Eles vivem em todos os continentes, em todos os climas e em todas as latitudes. Sua extrema resiliência permitiu-lhes conquistar o planeta inteiro”, conta. 

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E é essa habilidade destacada pela astrobióloga Gerda Horneck, do Centro Aeroespacial Alemão. Em entrevista à New Scientist, ela disse que a capacidade desse filo de sobreviver a condições extremas pode ser uma indicação de que existam outros organismos com as mesmas capacidades pelo Sistema Solar e além.