Dizem que a história é escrita pelos vitoriosos. Mas, ao mesmo tempo, esses vencedores acabam mitificando grandes perdedores que vieram antes deles. De acordo com a National Geographic Magazine, nossa fascinação com exploradores fracassados não serve apenas para nos assustar com história de túmulos de gelo ou canibalismo. Ela é uma função vital para a nossa vontade de progredir.

Em um artigo interessante publicado na edição de setembro da revista, Hannah Bloch relembra alguns dos grandes desastres de exploradores e descobre que eles foram muito mais importantes do que os aventureiros lembrados por seu sucesso. “Fracasso – nunca procurado, sempre temido, impossível de ignorar – é o espectro que paira sobre qualquer tentativa de exploração,” ela explica. “No entanto, sem a dor do fracasso para estimular-nos a reavaliar e repensar, o progresso seria impossível.” O mesmo se aplica a atividades tecnológicas e criativas. Junto com o artigo, o NatGeo também tem um excelente slideshow de fotos raras de arquivos de famosos fracassos – eles compartilharem alguns conosco, abaixo.

Entre as imagens temos George Mallory no dia que ele desapareceu no Everest. Também podemos ver os destroços do balão do aviador sueco S. A. Andrée, recuperado 33 anos após ele e sua tripulação morrer tentando descobrir o Polo Norte. É uma bela coletânea de imagens. [National Geographic]


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Em 1897, S. A. Andrée tentou chegar ao Polo Norte de balão. Apenas dois dias após levantar voo de Svalbard, o balão – que praticamente não foi testado – caiu a centenas de quilômetros de distância da civilização.

Andrée e a sua equipe de dois tripulantes usaram a câmera para documentar a longa jornada, capturando momentos incríveis como este acima. Eles morreram em uma ilha inabitada de Svalbard – e, 33 anos depois, as imagens foram recuperadas junto com os seus restos (leia o perfil recentemente publicado pelo The New Yorker sobre Andrée para saber mais)

Fotografia cortesia do Museu Grenna/Sociedade Sueca de Antropologia e Geografia/National Geographic


NGS Picture ID:257329

O explorador norte-americano Robert E. Peary passou sua carreira tentando chegar ao Polo Norte. Em sua terceira tentativa, ele acreditou ter conseguido – mas na verdade ele estava a cerca de 8km da localização real do Polo Norte.

Fotografia via National Geographic/Robert E. Peary


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O alpinista inglês George Mallory (o segundo a partir da esquerda, alguns dias antes da sua morte) tinha 37 anos quando foi com seu parceiro tentar escalar o Everest. Historiadores acreditam que seu desespero para ser bem sucedido – e a crença de que não teria outra chance – foram importantes para o fato dos dois homens nunca terem voltado.

O corpo de Mallory foi recuperado em 1999, alimentando o argumento de que ele foi o primeiro a escalar o Everest, três décadas antes de Norgay e Hillary.

Fotografia via J.B Noel, Royal Geographic Society, com IBG/National Geographic


NGS Picture ID:11918

Otto Lilienthal foi um dos primeiros humanos a “voar”, graças aos seus experimentos com tecnologia de planadores. Apesar das suas contribuições terem sindo fundamentais para engenheiros trabalharem ao voos tripulados algumas décadas depois, ele morreu em 1896 com o pescoço quebrado após seu planador parar no ar.

Fotografia via National Geographic/R. W. Wood.


Damaged Apollo 13 Service Module

O projeto Apollo 13 é provavelmente o mais famoso fracasso da exploração do século 20. A missão de 1970 pode ter falhado, mas, como o NatGeo lembra, “também foi bem sucedida: os astronautas retornaram com vida.”

Fotografia via Universal Images Group Limited/Alamy/National Geographic