Um projeto chamado “Meta Slave” –ou “Meta Escravo” em tradução livre–, gerou grande indignação ao criar uma galeria de NFTs (tokens não fungíveis),para vender fotos de pessoas negras como “NFTs de escravos” (sim, é isso mesmo…).

Após anunciar a venda dos ativos no Twitter, a página responsável pela façanha recebeu uma enxurrada de críticas e acusações de racismo. As imagens foram colocadas à venda NFTs na famosa plataforma OpenSea.

Depois da polêmica, a página não durou muito tempo em sua forma original. Foram tirados do ar nesta terça-feira (01), mas já voltaram com “uma nova cara”.

Os criadores tentaram se justificar e pediram desculpas. Os donos do projeto disseram que tinham uma boa intenção. O projeto era descrito como uma forma de “não esquecer o que nossos antepassados fizeram”.

A coleção dos tokens não fungíveis foi anunciada no dia 25 de janeiro e contaria com 1.865 NFTs, cada um chamado “Meta Slave”, seguido de um número. Segundo a página, a quantidade de ativos disponíveis seria uma referência à data da abolição da escravidão nos Estados Unidos, que aconteceu em 1850.

“Pedimos desculpas a quem se ofendeu com nosso projeto, mas estamos aqui apenas com boas intenções. Paz para todos”, diz uma publicação no perfil do Twitter da Meta Slave/Meta Humans.

Apesar de pedir desculpas, o perfil segue acusado de racismo, já que deram uma explicação contraditória do que haviam falado inicialmente.

Em um primeiro momento, disseram que o objetivo do perfil era “mostrar a todos que nunca esqueceremos as vítimas e o sofrimento de nossos ancestrais, devemos relembrar a história para que isso não aconteça novamente… Este projeto foi inspirado pelo Black Lives Matter e também em homenagem a George Floyd”.

Entre os rostos vendidos nos ativos, um é do próprio Floyd. A página não explica se tem direitos autorais. Além dele, o perfil não explica quem são as pessoas das outras imagens, mas denomina todos como escravos.

Após a má repercussão do projeto, os proprietários tentaram recuar e deram outra explicação sobre os ativos, dizendo que, na verdade, a ideia que queriam passar era de “todos somos escravos de algo”.

Em seguida trocaram as fotos das redes sociais, tirando os rostos de pessoas negras e colocando de pessoas brancas.

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“No futuro haverá outras coleções: branca, asiática, etc.”, escreveu a página no Twitter. A Open Sea, responsável por permitir a venda das NFTs não se pronunciou até o momento.

E se você ainda não conseguiu entender o que são NFTs e como comprar os milhares de ativos digitais que já existem, confira aqui.