A substituição de funcionários por robôs nas linhas de montagem da Foxconn — que foi anunciada em agosto do ano passado — já começou, de acordo com o Wall Street Journal. A empresa não confirma em que estágio está o processo, mas, de acordo com o jornal, ele já está a todo vapor.

Um funcionário de sobre nome Zhang, que trabalha há dois anos na fábrica de Shenzhen Longhua, que tem mais de 200 mil funcionários, disse que seus colegas na linha de produção foram transferidos depois da compra de braços robóticos, no começo desse ano. “Havia entre 20 e 30 pessoas na linha antes. Depois da chegada dos robôs, ficaram apenas cinco pessoas, que apenas apertam os botões e comandam as máquinas”, diz. Segundo o funcionário, as pessoas trabalhavam plugando componentes em placas-mãe.

Os planos da empresa, que pretende ter um milhão de robôs funcionando em suas linhas de montagem até 2014, têm como objetivo, segundo analistas consultados pela Reuters no ano passado, reduzir custos com mão-de-obra, já que, de acordo com os especialistas, o salário dos trabalhadores chineses está subindo rápido demais.

A Foxconn, no entanto, diz que a automação é apenas para auxiliar na produção de produtos mais avançados. Além disso, ela afirma que os robôs farão as tarefas perigosas que anteriormente eram delegadas aos operários. De fato, o investimento em mão-de-obra especializada e em automação deve resolver problemas enfrentados pelos trabalhadores, como as péssimas condições de trabalho.

O The Verge destaca que a medida pode ter alguns problemas, entretanto.

A iniciativa pode enfrentar alguma oposição política, já que a companhia é há tempos um provedor consistente de empregos de baixos salários por toda a China.

Já para empresas que contratam os serviços da Foxconn, o baixo custo de mão-de-obra não é o único atrativo da China: a Ásia, de uma forma geral, tem uma grande cadeia de fornecedores de peças. Isso facilita a rápida implementação de mudanças nos produtos, coisa que a Apple, por exemplo, faz com certa frequência. Esse é um dos grandes desafios de levar a construção de produtos para os EUA, por exemplo.

A automação, mesmo assim, parece ser o caminho a seguir — na China e no mundo todo. O próprio The Verge relembra a posição de Barack Obama durante o segundo debate presidencial, quando o presidente disse que os empregos de manufatura não vão voltar para os EUA e que o país deveria se focar em desenvolver manufatura avançada. Pelo visto, muitos perderão mesmo seus empregos para as máquinas. [The Wall Street Journal via The Verge]