O Windows RT é um sistema operacional que não requer hardware da Intel. Ele roda em processadores ARM: isto é, chips Snapdragon, Tegra e Exynos. Isso permite criar tablets mais baratos e com bateria mais duradoura, pois chips ARM consomem menos energia.

No entanto, o Windows RT possui muitas limitações, e não foi bem-recebido pelo mercado. Por isso, pouco a pouco, as fabricantes desistiram dele.

O caso mais recente: a Dell não oferece mais produtos com Windows RT. Ela parou de vender o XPS 10, do qual nós gostamos por mostrar como deveria ser um bom híbrido notebook/tablet.

Segundo a PCWorld, a empresa fará um evento na semana que vem para lançar novos tablets, mas a chance de apostar novamente no RT é bem pequena.

E a Dell está em uma longa lista de fabricantes que largaram o Windows RT. Acompanhe com a gente no replay:

  • Lenovo: a empresa disse em agosto que não há mais necessidade do Windows RT. Graças ao Intel Haswell, não é preciso usar um chip ARM para ter grande duração de bateria. A Lenovo lançou o IdeaPad Yoga 11, com teclado que se dobra em até 360 graus, porém parou de vendê-lo meses depois.
  • Asus: em agosto, a empresa disse ao Wall Street Journal que não fará mais tablets com Windows RT, citando vendas fracas. (Ela lançou o Vivo Tab RT.)
  • HTC: em maio, fontes disseram à Bloomberg que a HTC preparava um tablet com Windows RT, mas desistiu de lançá-lo devido à fraca demanda.
  • Samsung: em março, a empresa desistiu de oferecer o ATIV Tab em vários países da Europa, e decidiu não lançá-lo nos EUA.
  • Acer: em outubro de 2012, a empresa disse que iria atrasar o lançamento de seu tablet com Windows RT, depois da recepção morna ao Microsoft Surface. O presidente da Acer já criticou o sistema publicamente, e o tablet não foi lançado até agora.
  • Toshiba: em agosto de 2012, a empresa disse à BusinessWeek que cancelou os planos de lançar tablets com Windows RT, preferindo se concentrar no Windows 8.
  • HP: em junho de 2012, a empresa disse que não faria tablets com Windows RT – e cumpriu a promessa.

Mas será que, com o Windows RT 8.1, não veremos novos dispositivos rodando o sistema? Provavelmente não. Durante as feiras Computex e IFA, nenhuma fabricante apresentou tablets ou híbridos com RT – enquanto várias revelaram modelos com Windows 8.1.

Isso deve ser o bastante para reconhecer que o Windows RT, até o momento, é um fracasso.

Motivos para o fracasso

Por que o Windows RT não vingou? Há vários motivos. O principal: os tablets que chegaram ao mercado eram caros. O Surface RT, por exemplo, custava US$ 499 sem a Touch Cover. É o mesmo preço do iPad, que possui muito mais apps.

E a seleção de apps ainda é fraca. Sim, ela cresce a cada dia: são mais de 100.000 opções, e teremos apps oficiais do Facebook e Flipboard em breve. Mas isso não foi o bastante para disputar espaço contra iPads e tablets Android.

Além disso, os novos processadores da Intel eliminam necessidade de chips ARM. Com o Haswell e Bay Trail, você pode rodar programas desktop, além dos apps da Windows Store. E eles consomem pouca energia, permitindo uma autonomia de 10 h para a bateria – o mesmo que vemos no iPad, por exemplo.

Por fim, a Microsoft não explicou direito as diferenças entre Windows RT e Windows 8. Tanto que muita gente ainda se confunde! Nós já listamos o que ele não pode fazer: basicamente, ele só roda os programas de desktop que vêm embutidos. Isto inclui uma versão do Office: Word, Excel, PowerPoint, OneNote (e em breve Outlook) acompanham o sistema.

Mas se você quer usar o Photoshop, por exemplo, nada feito: você precisa se contentar com uma versão limitada, assim como em outros tablets. E para navegar na web, se você quiser usar Firefox ou Chrome, isso será impossível: tanto a Mozilla como o Google dizem que não levarão seus navegadores para o Windows RT, citando limitações na arquitetura da plataforma. (Há versões Metro dos dois navegadores, mas elas só rodam no Windows 8.)

O Windows RT não vingou… mas não quer dizer que ele está morto.

Microsoft e Nokia

Agora, só a Microsoft vende tablets com Windows RT. E a empresa pagou caro por apostar no novo sistema: este ano, ela teve que fazer um ajuste contábil para considerar perdas de US$ 900 milhões com o Surface.

Isso não impediu que ela lançasse uma nova versão do tablet, chamada Surface 2: ele mantém o mesmo design, porém traz especificações melhores, incluindo tela com resolução Full-HD, processador Tegra 4 e bateria com duração 25% maior. Ele custará a partir de US$ 450 quando for lançado em outubro.

A Microsoft não deve ficar sozinha no mercado, no entanto: a Nokia se prepara para lançar o Lumia 2520 (codinome “Sirius”) com Windows RT. Segundo rumores, ele possui tela de 10,1 polegadas e resolução Full-HD, processador Snapdragon 800, conectividade 4G LTE e bateria de 10h.

Só que a Nokia não é mais uma parceira da Microsoft: ela faz parte da empresa. Sim, os planos do seu tablet com Windows RT certamente precedem a aquisição. Mas não dá para esconder que, por enquanto, a Microsoft está sozinha em tentar alavancar seu sistema. [PCWorld via The Verge]