Prancha voadora para fins militares não é o único desenvolvimento francês que parece ter saído de um filme de ficção científica. Na semana passada, a ministra da Defesa da França, Florence Parly, disse que o país lançaria satélites de vigilância em miniatura repletos de armas defensivas nos próximos anos, com opções como lasers e metralhadoras, segundo o jornal francês Le Point.

De acordo com o Le Point, o projeto inicialmente realocará US$ 780 milhões em financiamento adicional para o orçamento espacial existente de US$ 4 bilhões da França, de 2021 a 2025, e envolverá 220 soldados de várias agências militares da França. O plano é ter a operação baseada em um novo aeródromo em Toulouse em 2025, com Parly dizendo que o projeto “não será uma fantasia e que é uma ambição confiável”.

O presidente da França, Emmanuel Macron, disse primeiro que a nação criaria sua própria força espacial encarregada de defender os satélites em julho, apesar de uma reportagem da Reuters não mencionar os sistemas de armas espaciais. Parly propôs uma emenda à lei francesa sobre operações espaciais para permitir ao Ministério das Forças Armadas mais liberdade para agir sob a supervisão do Centro Nacional de Estudos Espaciais e disse que ela queria satélites de patrulha em órbita até 2023, conforme informa o Task & Purpose.

Para começar, a primeira geração dos satélites de Siracusa, na França, será equipada com câmeras para monitorar possíveis ameaças, mas mais tarde se juntarão a armas e poderão ser lançadas em grande número a curto prazo — o plano prevê que as armas estarão no céu até 2030.

Parly disse que a tecnologia seria usada para fins defensivos, não para atacar.

“Se nossos satélites forem ameaçados, nós consideraremos cegar nossos oponentes”, disse a ministra a repórteres, segundo o Task & Purpose. “Isso pode envolver o uso de lasers poderosos implantados a partir de nossos satélites ou de nossos nanossatélites de patrulha”. Ela também mencionou “metralhadoras capazes de quebrar painéis solares em espaçonaves hostis”.

“Defesa ativa não é uma estratégia ofensiva; é autodefesa”, acrescentou Parly. “É quando um ato for identificado como tal, aceitável dentro dos limites do direito internacional, para poder ser respondido de maneira apropriada e proporcional. A lei não isenta a autodefesa, não proíbe a militarização nem impede a armamentização”.

Medidas adicionais estão sendo consideradas pela França, motivadas, em parte, por uma suposta tentativa russa de hackear seu satélite de comunicações Athena-Fidus em 2017 poderiam incluir uma maior vigilância espacial e instalações especializadas de treinamento. O Task & Purporse escreveu:

Isso poderia ter a forma de desenvolvimento de uma rede de telescópios, o uso de uma rede de georrastreadores, a exploração de “recursos de radar de imagens de satélite”, equipando satélites com câmera ou testando um detector de radar de longo alcance.

Como parte do novo programa, Parly também fez alusão a um “campus espacial” e uma “academia espacial” para promover carreiras espaciais.

Sob a administração de Trump, os Estados Unidos começaram a formar sua própria Força Espacial, embora, em vez de um ramo independente dos militares, ela seja supervisionada pela Força Aérea.

Defensores da decisão dizem que os EUA precisam se concentrar no espaço, com a Rússia e China desenvolvendo armamento antissatélite, segundo o New York Times, embora a cientista sênior da Union of Concerned Scientists, Laura Grego, tenha dito ao jornal que “se a concentração de autoridade nas Forças Espaciais criarem um incentivo para nações fazerem armas espaciais que aumentem a probabilidade de conflito, seria uma ideia profundamente ruim”.

[Le Point via Task & Purpose]