Você pode não saber quem é Frances Allen, mas deveria. Ela não foi apenas a primeira mulher a trabalhar na IBM, mas ela também foi a primeira mulher a ganhar o prestigioso Turing Awards. Se isso não fosse impressionante o suficiente, Allen também foi pioneira na compilação computacional — o processo pelo qual os gadgets que usamos convertem o software das linguagens de codificação de alto nível compreendidas por humanos em código-fonte executável por máquinas.

Allen morreu no dia 4 de agosto, durante seu aniversário de 88 anos, em uma casa de repouso em Schenectady, Nova York, de doença de Alzheimer.

Apesar de todas as suas conquistas inovadoras, Allen inicialmente não pretendia seguir uma carreira em ciência da computação. Depois de obter um mestrado em matemática pela Universidade de Michigan em 1957, Allen conseguiu um emprego na IBM para pagar seu empréstimo estudantil.

Ela ensinou Fortran aos novos funcionários da empresa, uma linguagem de computação de alto nível da época que permitia aos engenheiros fazerem códigos em alguma coisa mais fácil de entender do que o binário. Embora Allen pretendesse apenas ficar na IBM até que sua dívida fosse quitada, ela acabou passando 45 anos lá, aposentado-se na empresa em 2002.

No início, Allen foi designada como um contato da IBM para a NSA (Agência Nacional de Segurança dos EUA) e trabalhou para desenvolver o Alpha, que a IBM descreve como “uma linguagem de quebra de código de alto nível que tinha a capacidade de criar novos alfabetos além do nosso sistema conhecido”.

Ela gerenciou a equipe de otimização de compilador para os projetos Harvest e Stretch, o que resultou no computador Stretch-Harvest. Segundo o New York Times, era o computador mais avançado da época e foi feito com o intuito de interceptar comunicações de espiões de todo o mundo.

Naquela época, os compiladores não eram exatamente eficientes. Isso significava que o software poderia ser lento, desajeitado, mais caro e sujeito a erros. Allen e um colega pesquisador, John Cocke, publicaram uma série de artigos descrevendo como os humanos poderiam se comunicar de maneira mais eficiente com computadores, incluindo o artigo seminal de 1972 “A Catalog of Optimizing Transformations”.

Isso pode parecer muito distante de como é a computação moderna, mas, na realidade, o trabalho de Allen moldou a forma como interagimos com cada item de tecnologia em nossas vidas. Seu trabalho pode ser encontrado em “cada aplicativo, cada site, cada videogame ou sistema de comunicação, cada computador de bordo em um carro ou aeronave”, disse Graydon Hoare, criador da linguagem de programação Rust, ao New York Times no obituário de Allen.

Basicamente, você pode agradecer a Allen por criar a base que permite aos desenvolvedores atuais escreverem um app ou site para que seu smartphone, tablet ou computador possa entender e executar quase instantaneamente.

Além de suas realizações, Allen também despenhou um papel importante em conseguir que mais mulheres ingressassem na área de ciência da computação. A IBM observa que ela passou “muitos anos como mentora por meio do programa de mentores da IBM” e também recebeu vários prêmios para ajudar mulheres do setor. Além disso, foi incluída no Hall da Fama Internacional da Tecnologia e também recebeu o prêmio Augusta Ada Lovelace.