A Microsoft surpreendeu todo mundo ao lançar seu próprio tablet, mostrando às suas fabricantes como um dispositivo com Windows deveria ser feito. Infelizmente, o Surface com Windows RT decepcionou: com tela e desempenho abaixo da média e uma escassez de apps, o tablet com capa de teclado não convenceu quem o testou.

Mas a Microsoft tem outro dispositivo na manga: o Surface com Windows Pro. Ele roda o Windows 8 e todos os aplicativos legados, tem processador Intel Core i5 com bom desempenho e uma tela linda Full-HD. Ele parece resolver os problemas do seu irmão com Windows RT, mas isso é o bastante? Ele consegue ser um bom híbrido de laptop e tablet? Confira as opiniões de quem testou.

Tela

The Verge



A tela de 10,6 polegadas e resolução 1920 x 1080 no Pro é linda, talvez a melhor tela de laptop que eu já vi. As cores pretas são profundas, e as cores brancas são brilhantes (a tela do meu MacBook Air agora parece amarelada em comparação), e as cores são precisas e vibrantes. Como ela é 1080p, você não encontra pixels ao segurar o dispositivo mais perto do seu rosto no modo tablet.

Gizmodo US

Um dos problemas fundamentais do Pro é quase tragicamente irônico: sua tela é boa demais. A sua resolução de 1080p é tão densa na tela de 10,6″ que programas de desktop ficam muito pequenos, muito espremidos. Como você já deve ficar em frente a uma mesa apertando os olhos ao usar esta tela de 10,6″, o texto minúsculo não ajuda muito.

Para compensar isso, a Microsoft amplia os elementos de tela na área de trabalho em 150%. Isso ajuda um pouco ao ampliar ícones, texto e alguns aplicativos, mas o resultado disso em muitos apps de terceiros – como o cliente Steam – é deixá-los borrados demais. (É um problema semelhante aos apps não-otimizados para o MacBook Pro com tela Retina.) Mesmo com a ampliação, muitos dos controles continuam demasiado pequenos para se tocar com precisão, um problema exacerbado pelo trackpad pequeno demais em ambas as capas.

Design e hardware

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Ars Technica

Isoladamente, o Surface Pro parece indistinguível de seu irmão menor [com Windows RT] à primeira vista. Ele tem o mesmo acabamento preto em VaporMg que dá uma boa sensação na mão e deve resistir ao uso e desgaste do dia a dia sem problemas, e ele manteve o kickstand de praxe com seu som de abertura que dá sensação de firmeza.

Coloque-os lado a lado e as diferenças começam a aparecer. O Pro é 4mm mais espesso, com 13,46 mm em vez dos 9,3 mm do RT. Ele é 250g mais pesado, chegando a mais de 900g. Suas outras dimensões permanecem inalteradas, com a tela mantendo as 10,6 polegadas na diagonal.

The Verge

A única grande diferença estética [em relação ao Surface RT] é um pequeno espaço nas laterais do Surface Pro, presente em todas as suas quatro bordas. É aí que estão as ventoinhas – a Microsoft adotou a ventilação periférica no Surface Pro, usando este pequeno espaço para empurrar o ar para fora, em vez de depender de ventoinhas maiores. Seu visual não é terrível, mas adiciona espessura extra no dispositivo e chama atenção para isso. Ainda assim, porém, a Microsoft fez bem no que se trata de visual nos dois modelos do Surface. (…)

E há bastante potência neste pacote robusto. O Surface Pro é equipado como um laptop, e um muito bom: tem um processador Intel Core i5-3317U de 1.7GHz com chip gráfico integrado Intel HD Graphics 4000, 4GB de RAM e 64GB ou 128GB ou de armazenamento interno… Há Bluetooth e Wi-Fi, é claro, junto com um sensor de luz, acelerômetro, bússola e giroscópio. Assim como no Surface RT, não há nenhuma forma de se obter 3G ou 4G embutido no dispositivo…

Engadget

Realmente, então, a única opção é a quantidade de armazenamento flash integrado para você escolher – mas isso é uma decisão fácil. Por US$ 899 você pode obter o modelo de 64GB, mas há apenas 23GB disponíveis devido à partição de recuperação e, claro, ao próprio sistema operacional. Se você quer comprar o Surface, recomendamos adquirir o modelo de 128 GB, que tem 83GB livres. (Note que você pode apagar a partição de recuperação de 8GB, o que ajuda um pouco.)

Capas e caneta

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Gizmodo US

Há zero diferença entre as capas com teclado que acompanham o Surface RT e o Surface Pro. Elas são idênticas e intercambiáveis. Mas, ao contrário do RT, o Surface Pro precisa de um teclado de verdade, se ele tem alguma chance de realizar o seu potencial.

Tanto a Touch Cover como a Type Cover são totalmente utilizáveis. Você vai precisar de mais tempo para se acostumar com a digitação na Touch Cover: a maior diferença é a falta de feedback tátil quando você erra uma tecla. É também um pouco mais difícil de acertar de forma confiável a linha inferior das teclas de função, porque elas se fundem ao apoio para os pulsos em vez de serem claramente delineados. Chato, mas dá para lidar com isso. Você será capaz de escrever a basicamente 100% da velocidade no teclado da Type Cover, e depois de uma semana ou duas, você digitará de forma muito confiante na Touch Cover também. Mas tem o trackpad. Ele é (surpreendentemente!) muito preciso em ambas as capas, mas é muito pequeno.

The Verge

O Surface Pro vem com uma stylus sensível à pressão feita pela Wacom, que é uma companheira incrivelmente útil para o dispositivo. É fantástico para desenhar aplicativos ou para jogar Fruit Ninja – a tela densa em pixels dá a você um controle preciso, mas a caneta torna isso ainda melhor… Você pode até mesmo clicar com botão direito do mouse ou apagar traços: basta clicar com um botão na própria caneta. A tela sabe quando a caneta está próxima, mostrando um ponto na tela antes mesmo de você tocar, o que é ótimo para usar Photoshop, ou qualquer outra coisa que requeira um toque hábil. A caneta não é algo que você vai usar o tempo todo, mas é um bom acréscimo a um dispositivo sensível ao toque. Ela se prende ao conector de alimentação, o que permite deixá-la na lateral do dispositivo quando não estiver em uso – mas ela caiu toda vez que eu coloquei o Pro na minha mochila.

Como tablet

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Tudo pode parecer mais ou menos o mesmo como o RT, mas o Surface Pro dá uma sensação diferente. Muito diferente. Ele é pesado e grande – mais de 200g mais pesado que o Surface RT (pouco mais de 900g vs. 680g no RT) e quase 50% mais grosso (13,46 mm contra 9,3 mm). Você realmente nota a diferença em ambos os casos. Junte isso à sua largura de 27,5 cm, e chamar este dispositivo de tablet beira o ridículo. Ele é absolutamente inutilizável com uma só mão, cansativo para se segurar enquanto você está em pé, e grande o suficiente para que você o note em sua mochila. Claro, isso é só quando comparado a um tablet – um laptop com menos de um quilo é fantástico, e esta pode ser uma comparação mais justa.

Ars Technica

No uso normal, o Surface fica quente. Perceptivelmente quente. O calor parece concentrar-se na metade superior da máquina, em direção ao centro. Eu suponho que isso seja onde fica o processador. Sob carga pesada, você vai ouvir a ventoinha. Não é um ruído agradável, e isso me surpreendeu. A navegação na Web em geral e uso do Office não criam problemas, mas durante a configuração inicial (que teve uma mistura de patches, instalação de software, e indexação de vários GB de conteúdo sincronizado do Dropbox e SkyDrive), a ventoinha ganhou vida… O Surface tem um processador completo de Ultrabook nele. Você vai senti-lo, e às vezes até ouvi-lo também.

Como laptop

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Se você tentar usar o Surface Pro como qualquer laptop que você já teve, você vai quebrá-lo no seu joelho em uma semana. Sentar-se com ele no seu colo no sofá ou em um assento de trem, por exemplo, ou digitar mensagens instantâneas ou e-mails na cama – você não vai querer fazer nada disso aqui. Ele vai balançar na sua perna. Ele não vai se apoiar em um ângulo visível. O Surface parece e funciona como um computador portátil com sua capa com teclado, mas ele não é um laptop. Ele é menos firme, e menos ajustável.

Ars Technica

De uma perspectiva de laptop, o Surface Pro também falha. O laptop tradicional tem uma dobradiça rígida para manter a tela em um ângulo de sua escolha. É difícil de subestimar a importância desta dobradiça. Eu uso laptops não apenas porque eles são pequenos e porque eu quero algo que não ocupe muito espaço em minha casa, mas porque eu realmente preciso de computação portátil. Eu vou a conferências, fico em hotéis, ando de trem, voo de aviões… A articulação significa que eu posso usar confortavelmente o laptop mesmo sem ter uma mesa – em meu colo. Enquanto o centro de gravidade do laptop estiver sobre os joelhos, ele ficará sólido e estável, então eu poderei mantê-lo a uma distância confortável longe de mim para que meus braços não fiquem espremidos ao digitar nele…

O kickstand do Surface não me oferece nada disso. Ela coloca a tela no ângulo certo quando minha mesa está em uma certa altura, mas em qualquer outra altura este é o ângulo errado. E pior, quando eu o uso no meu colo, a menos que o kickstand fique muito bem-apoiado, o tablet cai. O resultado? Na prática, o Surface RT e o Surface Pro ocupam mais espaço no meu colo até mesmo do que o meu velho MacBook Pro de 15 polegadas. E se eu me mover um pouco, a tela cai na minha perna e some de vista. O Surface Pro é menor e mais esbelto do que o meu MacBook Pro; no entanto, ele exige mais espaço no colo.

The Verge

Se você quer um dispositivo fino (para um laptop), bonito, e fácil de transportar entre suas mesas de casa e do trabalho, o Surface Pro se encaixa muito bem – tenho configurações quase idênticas de teclado / mouse / monitor no escritório do The Verge e no meu apartamento, e ter que carregar menos de 1kg é ótimo. Mas se, como eu, muitas vezes você se encontra usando o computador no sofá, no seu colo, em seu peito enquanto você se deita na cama, ou realmente em qualquer lugar sem uma mesa, ambos os modelos do Surface ficam desajeitados e estranhos de se usar.

Software

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The Verge

O Surface Pro roda Windows 8 – desta vez, o Windows de verdade, honesto e sem comprometimentos. E como ele possui um processador Intel, ele pode rodar aplicativos legados do Windows, para que suas necessidades de Quicken e Photoshop finalmente sejam saciadas.

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… cada aplicativo que rodamos no tablet funcionou perfeitamente, o que é uma mudança agradável em relação ao RT. Quando testamos esse dispositivo nós tentamos ser produtivos, mas a falta de suporte para aplicativos x86 do Windows significa que ficamos sem um cliente de IRC e sem acesso ao conjunto ferramentas para edição de texto, foto e vídeo que usamos diariamente. O Surface Pro rodou todos eles sem problemas, e depois de 30 minutos de download e cliques duplos em um monte de arquivos de configuração, estávamos fazendo trabalho de verdade.

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Você precisa consertar e alterar configurações. Muitas vezes. O processo de levar o Surface Pro a um estado confortável e eficiente de se usar envolve muito trabalho, principalmente por causa dos problemas de dimensionamento no desktop. A área de trabalho é muito pequena e difícil de se controlar no Surface. Você precisa acessar um monte de menus e configurações e esperar encontrar uma solução viável, e até mesmo as melhores soluções são apenas remendos. Como o Windows é Windows, provavelmente haverá programas que ajudem nisso, mas esta não é uma experiência “ligue e aproveite”.

Desempenho

The Verge

Em geral, ele funciona incrivelmente bem. Eu sempre alterno entre uma dúzia de aplicativos diferentes, alguns de streaming de música ou filmes, e o Surface Pro não engasgou uma só vez em uso normal – eu fiquei realmente chocado com a rapidez em voltar a ver House of Cards no Netflix quando eu voltava ao app. Enquanto o Surface RT levava uma eternidade para carregar qualquer coisa, e engasgava em qualquer tipo de tarefa intensiva, o Pro simplesmente voa. A partir do momento em que você o liga, ele é rápido: o Surface Pro faz boot em oito segundos e retoma do modo suspenso em menos de dois segundos.

Engadget

O desempenho geral do nosso Surface Pro com Intel Core i5 mais que atingiu nossas expectativas. O boot dura oito segundos ou menos, o que é bastante impressionante de fato, e aplicativos abrem de forma rápida e reagem bem. O desempenho aqui é definitivamente suficiente para se trabalhar de forma séria, impressões que foram apoiados por nossos benchmarks…

Deve-se notar, entretanto, que durante a execução desses benchmarks a parte de trás do tablet ficou muito quente ao toque, e a ventoinha certamente se deixou notar com um barulho estridente e agudo. Nós raramente ouvimos esse ruído durante uso menos intenso, mas a reprodução de vídeo em tela cheia foi o suficiente para irritar a ventoinha.

Gizmodo US

O Pro roda muito bem todos os jogos que você esperaria jogar levando em conta seu hardware: Borderlands 2, Diablo 3, The Walking Dead e Portal 2 funcionaram em ​​configurações entre baixa e média; Skyrim, nem tanto.

Bateria

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Engadget

…enquanto o desempenho foi bom, a duração da bateria não foi. Em nosso teste padrão de consumo de bateria no Windows, onde fixamos o brilho da tela e tocamos um vídeo em loop, o Surface Pro durou apenas três horas e 46 minutos, apesar de ter uma bateria de 42,5 Wh – um terço maior do que os 31,5 Wh no Surface RT. Isso é apenas um terço das 9h36min que o Surface RT marcou, e bem menos que as sete horas que o semelhante Acer Iconia W700 [com mesmo processador] marcou, além de ficar atrás de todo dispositivo touchscreen com Windows 8 que já testamos.

The Verge

Eu me contento em fazer sacrifícios para aproveitar a potência extra do Surface Pro, e nem o calor, nem o barulho, nem o volume físico me incomodaram o bastante para me fazer desejar um Surface RT. Mas a cada quatro horas, quando a bateria do Surface Pro acabava, eu ansiava por um dispositivo com Tegra 3. O Pro durou 3 horas e 59 minutos no teste de bateria do The Verge, que alterna entre vários sites e imagens de alta resolução com o brilho da tela ajustado em 65%. Isso é cerca de uma hora abaixo do que eu considero aceitável para a bateria de um ultrabook, e é menos de metade do que eu esperaria de um tablet – o Surface RT facilmente dura um dia inteiro de uso regular, por exemplo, e o iPad durou mais de nove horas em nosso teste árduo.

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Enquanto a duração da bateria podia ser comparada a ultrabooks no uso diário como laptop, ela variou enormemente em nossos testes, caindo a até 2 horas e 24 minutos (rodando o Chrome no desktop com 20 abas, e um longo vídeo do YouTube em execução). Em outros testes ele durou mais tempo; com vários programas e um videogame rodando simultaneamente, a bateria durou 3 horas e 40 minutos. Dito isso, deixar o Pro em modo de espera consome bateria, a menos que você desligue um monte de funções de laptop. Você não pode apenas deixar o Surface Pro num canto e pegá-lo dias depois esperando que ele esteja carregado, como você pode com um tablet.

Câmeras e som

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Assim como o Surface RT, o Surface Pro tem duas câmeras de 720p, uma na frente e outra atrás. E, assim como no Surface RT, ambas são bem ruinzinhas. Fotos saem incrivelmente cheias de ruído, e o sensor parece ser completamente incapaz de lidar com contraste, resultando em imagens totalmente lavados ou muito escuras. É como anti-HDR… A qualidade de vídeo é igualmente limitada, e não pude deixar de notar um ruído zumbindo no fundo de todos os vídeos que gravávamos. Seria a ventoinha do CPU girando?

The Verge

Há duas câmeras no Surface Pro, ambas capazes de gravar vídeo em 720p. No meu tempo inteiro usando o dispositivo, eu só usei a câmera traseira explicitamente para testes, porque tirar fotos com um tablet de 900g com quase 11″ é ridículo. Por outro lado, a câmera frontal com lente grande angular é muito boa para videochat. Os alto-falantes contam uma história similar: você recebe um desempenho decente, com som relativamente nítido (mas não particularmente alto).

Conclusão

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Engadget

Ainda estamos completamente extasiados com a ideia de um dispositivo completo que pode corretamente conectar os domínios díspares de produtividade e ociosidade. Infelizmente, ainda estamos procurando a combinação perfeita de dispositivo e sistema operacional que não só consiga as duas tarefas, mas seja muito bom em fazê-las. O Surface Pro chega o mais próximo disso, mas ainda tem vários comprometimentos em ambos os campos. Ao tentar ser produtivo, queria ter um laptop adequado; e ao relaxar no sofá, queria ter uma interface de desktop mais amigável aos dedos.

The Verge

Mesmo um Surface bem-executado ainda não funciona para mim, e eu aposto que ele não funciona para a maioria das outras pessoas também. É realmente difícil de usar em qualquer coisa que não seja uma mesa, e o formato largo 16:9 limita severamente sua utilidade como um tablet. Ele é muito grande, muito pesado, e muito dependente de seu cabo de energia para ser um tablet competitivo, e é muito imutável para fazer tudo o que um laptop precisa fazer. Em sua busca para ser ambos, o Surface na verdade não é nenhum. Ele deveria libertar o usuário, mas ele só parece limitante.