O Nokia N8 mal foi anunciado, e uma legião de curiosos quer saber o que ele realmente faz. Será que o "melhor smartphones com Symbian^3 de todos os tempos" é o bastante para encarar um mercado empanturrado de Androids, grandes telas e um tal de iPhone? E sua câmera, com mais de uma dezena de megapixels, é tudo aquilo que a Nokia prometeu? Alguns sites gringos já puderam brincar por longos dias com o N8 e já deram seu veredito. Confira os melhores momentos de cada um deles e tire suas próprias conclusões.

Hardware

TechRadar:

"Na parte do hardware, a Nokia não economizou em nada no N8, usando um chassis 100% de metal com pintura anodizada e anti-riscos que dá ao telefone uma cara total de smartphone topo de linha. E ele é realmente anti-riscos – esfregar chaves no aparelho não causou dano algum, mas a pintura da chave lateral pode sumir com o passar do tempo. Porém, com uma câmera de 12MP e um flash de xênon na traseira, ele não é um aparelho dos mais finos – ele encaixa bem na mão, mas as dimensões (11,3 x 5,9 x 1,2 cm) podem incomodar um tantinho, principalmente se você for um adepto das calças jeans apertadas.

No restante, o N8 continua com o ar de topo de linha: a tela de OLED com 3,5 polegadas capacitiva realmente manda bem quando o assunto é cor (apesar de ser não ser tão impressionante quanto o Super AMOLED, da Samsung) e o design minimalista deixa o aparelho com apenas um botão na parte frontal, aposentando as outras várias teclas que a Nokia usou por anos em seus aparelhos.

O topo do N8 é onde a coisa pega de verdade – há uma porta mini HDMI, uma entrada para fones no padrão 3.5mm e o botão de liga/desliga, que também é usado para troca de perfis. Embaixo do aparelho, há a porta para recarregá-lo – uma “nova porta de bateria da Nokia” com 2mm, o que parece um tanto estranho, já que você pode carregá-lo pela porta microUSB na lateral também, como qualquer telefone de hoje. Nós só podemos deduzir que a Nokia imaginou que enquanto você passa arquivos pela porta USB, você pode carregar o telefone na tomada também."

Engadget:

"Muito foi dito sobre o fato do N8 usar um processador de 680MHz num mundo dominado por 1GHz, mas esses números altíssimos são apenas sedutores. O N8 tem um segundo processador da Broadcom ao lado de seu processador ARM11, que toma as rédeas quando ações exageradamente gráficas são utilizadas, entregando uma velocidade que por pouquíssimas vezes deixou a desejar. Juntando isso com o fato do Symbian^3 conseguir usar o processador gráfico para fazer aceleramento de hardware nas animações do sistema, e chegamos a conclusão que isso é o bastante para todas as tarefas que o N8 pode fazer. Vídeos em 720p não fazem o aparelho suar. Mais digno de críticas são os míseros 256MB de memória, que é a metade do que a maioria dos novos telefones está usando. Mas, novamente, o argumento aqui é que o Symbian^3 é uma plataforma intrinsecamente mais eficiente, e nenhum dos números baixos da tabela de especificações tiveram impacto negativo no uso do aparelho no mundo real. Em nossos testes, com vários N8 diferentes, nós vimos a mensagem “memória cheia” apenas uma vez – ao ver um vídeo no telefone com o calendário rodando em background."

Software e Apps

PCWorld:

"O Symbian^3 introduz algumas melhorias em relação a versões anteriores do Symbian, como o suporte a multitoque no navegador e na galeria de imagens (finalmente!) e uma reorganização nos atalhos e menus que faz com que sejam necessários menos toques na tela para desempenhar tarefas comuns. Além disso, basta segurar o dedo sobre o ícone da bateria na tela inicial para abrir uma janela mostrando as conexões Wi-Fi e USB disponíveis, e um relógio que pode ser usado como despertador. Apesar destes ajustes, o Symbian S3 parece velho e complicado demais em comparação a sistemas como o Android e iOS. Tarefas simples como adicionar um atalho à página inicial são mais difíceis do que deveriam ser.

Há apenas três telas iniciais. Para alguns usuários isso pode ser o suficiente, mas eu preciso de mais. Os widgets tem todos os mesmo tamanho e são grandes, então não há muito espaço livre. Se você quiser adicionar um atalho para um aplicativo à tela inicial terá de abrir o widget “Shortcuts”, onde é possível adicionar até quatro ícones. O processo é muito mais complicado que o método utilizado pelo Android, onde é possível adicionar um widget ou atalho à tela inicial simplesmente tocando em um espaço vazio por um segundo. E o teclado virtual me pareceu apertado, mais até que o teclado nativo do Android. Em modo retrato há a limitação de um teclado alfanumérico com 12 teclas, que é incrivelmente incômodo de usar. Acabei me acostumando a usar o teclado no modo paisagem, mais isso me obriga a digitar com as duas mãos de uma só vez."

Cnet:

No geral, o N8 com o Symbian^3 possibilita uma experiência de uso muito melhor (em comparação com outros aparelhos S60 v5). A experiência de toque simplificada e as novas opções de customização eram funcionalidades que a plataforma precisava. Isto posto, ele simplemente não se compara a facilidade de uso, suavidade e polidez dos sistemas operacionais competidores, especialmente Android e iOS.

 

Câmera

Mobile Review:

"A Nokia diz que a câmera de 12MP no N8 é uma revolução, que seria a primeira vez que um celular seria comparável a uma câmera digital. Para a Nokia, é a primeira câmera deste tipo, mas o mercado já não vê isso como algo tão empolgante – é fácil lembrar do PIXON12 da Samsung e do Satio, da Sony Ericsson. Esses modelos estão no mercado há mais de um ano, mas apenas agora a Nokia decidiu lançar um celular voltado para fotografia de verdade. E nesse exato momento, a corrida pelos megapixels já acabou e as empresas não estão mais apostando neles, mas sim trabalhando em algorítimos de processamento e questões ópticas.

Eis algumas fotos tiradas com o iPhone 4 e o Nokia N8, que em tese deveria bater o smartphones da Apple com larga vantagem. Mas… O que aconteceu? Eu misturei as fotos? Na foto tirada com o iPhone, eu posso ver cada detalhe na tela do laptop, incluindo os ícones, mas além disso, o objeto fotografado com o iPhone está com ótimo foco. Fantástico. 

Foto do N8

Foto do iPhone 4

Essa câmera pode ser uma revolução para a Nokia, mas para o mercado em geral ela não é um marco e não oferece nada de muito novo. Você vai ouvir um monte da Nokia e de seus defensores, dizendo que você  terá a melhor solução fotográfica de bolso com ele. Mas as imagens não mentem."

Engadget:

O equilíbrio de cor e medição de luz são soberbos. O disparador em dois estágios é ótimo, e acha tanto o foco quanto a exposição quando pressionado até a metade. Mas, para os menos talentosos entre nós, notamos que o uso de um disparador físico (ao invés dos botões de capturar em ícone que costumam aparecer na tela) introduziram um pouquinho de tremedeira de câmera nos resultados.

All About Symbian:

"Como sempre, a história se repete com o smartphones da Nokia tendo um hardware impressionante que é reduzido por conta de um software inacabado e estranho. Se você tiver um mínimo de conhecimento técnico, tiver o Pixelpipe instalado e for competente o suficiente para transferir suas fotos do celular para o computador, a câmera do N8 e suas opções de conexão vão te deixar muito feliz – é o melhor aparelho para criação de mídias, independente das condições e do local, que eu já usei. Mas eu só consigo imaginar usuários menos experientes ficando confusos, perplexos e desapontados ao tentar se entender com a interface da câmera, mas também os vejo fazendo coisas interessantes com suas fotos e vídeos."

 

Conclusões

Engadget:

"Você já sabia disso, nós já sabíamos e a Nokia também deve saber. A equipe de finlandeses deu um tiro no pé basicamente por uma execução nada boa na parte de software. Não é estranho imaginar que o hardware do aparelho já está pronto desde abril, mas os atrasos do Symbian^3 fizeram um hardware impressionante chegar ao mercado muito tarde. Se esse celular tivesse chegado às lojas no início do ano, durante o que podemos chamar de era pré-EVO, sua câmera, seus vídeos em 720p e sua construção de primeiríssima poderiam ter devolvido o título de rainha dos smartphones à Nokia. Não estamos exagerando, o hardware do N8 é realmente sensacional." Nota 5/10

TechRadar:

"O Nokia N8 é um aparelho bem complexo de julgar: ele sem dúvida fará o maior sucesso com os fãs da Nokia, já que ele é o melhor celular com Symbian já feito, e quem continua na onda dos finlandeses ficará feliz em ver a maioria dos problemas da versão antiga do S60 corrigidas. Mas para aquele usuário que está pensando em trocar de Android ou iPhone, ou até mesmo entrar nesse mundo pensando numa mudança, a experiência não será assim tão deliciosa. A lentidão na página inicial quando muita coisa está rodando chega a travar o N8.

O N8 é um bom smartphone, um belo smartphone mesmo – mas ele parece apenas uma versão otimizada de aparelhos antigos do que o superfone que a Nokia precisava para virar o jogo."  Nota 4/5

PhoneArena:

O Nokia N8 é outro desses aparelhos que nos dividem. Ele tem alguns elementos realmente fantásticos: a câmera, a reprodução de vídeos, a magnífica qualidade de construção, tudo isso nos faz querermos esquecer tudo que é mediano nele. Isto posto, nós não conseguimos. O Symbian^3 simplesmente não nos estimula visualmente o suficiente para que tenhamos vontade de usá-lo, com as telas iniciais e menus parecendo velhos, e a sincronização de contatos e calendários com qualquer coisa que não seja o Ovi sendo algo pouco intuitivo, além de uma experiência de internet que pode ser melhorada. colocando tudo isso de lado, você não vai encontrar uma câmera melhor no mercado, e certamente você não vai achar um telefone que seja mais versátil como tocador de vídeo também. Se você é ok com o Symbian^3 e a maneira com que ele funciona, e na sua cabeça o que importa é hardware e opções de multimídia, então podemos recomendar totalmente o Nokia N8. Nota 8.5/10.

 

E o hands-on de vocês, Gizmodo?

O N8 será lançado muito em breve por aqui, mas lá na Nokia Brasil praticamente só havia protótipos. O único celular que tinha o hardware final (o dito cujo aí) ainda não rodava o firmware definitivo do Symbian^3 a ser embarcado no aparelho. O sistema estava meio instável: não havia algumas opções no menu e alguns aplicativos – como a câmera – travavam inexplicavelmente.

Por incrível que pareça, o sinal 3G de uma operadora, cujo chip era usado no aparelho, não pegava no escritório. E apenas um dos multicoloridos – que não era o aparelho final – funcionava pro Wi-Fi (era preciso registrar o MAC na rede antes). Logo, navegar era algo difícil.

Todas essas ressalvas são para dizer que não havia como testar de maneira efetiva o aparelho. Faremos isso em breve, de todo modo. Mas é estranho a empresa fazer barulho há meses e não ter uma unidade final para teste da imprensa. E é temerário o firmware final ainda não estar rodando. Um dos vários motivos do N97 ter fracassado em crítica foi o criminoso primeiro firmware, que sequer tinha acentos. É bom que a Nokia cuide de aprontá-lo rápido. Quando ele estiver pronto, falaremos a nossa opinião.

Mas e vocês. Os reviews lá fora falaram o que vocês esperavam? Vocês estão ansiosos pelo aparelho?