Após anos de flerte, as operadoras norte-americanas Sprint e T-Mobile finalmente concordaram em fazer uma acordo de fusão de US$ 26,5 bilhões, que vai consolidar ainda mais o mercado de telefonia móvel nos EUA que já é desprovido de concorrência.

De acordo com o Wall Street Journal, a T-Mobile trocará 9,75 ações da Sprint para cada ação da T-Mobile. A Bloomberg informa que para a negociação cada ação da Sprint foi avaliada em US$ 6,62. A Deutsche Telekom, dona da T-Mobile, ficará com 42% das fusões, e a dona da Sprint, a Softbank, ficará com 27%. Acionistas públicos ficarão com os 31% restantes.

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Assumindo que o negócio seja aprovado pelas entidades reguladoras, a nova companhia será conhecida como T-Mobile. A nova operadora atenderá 126,2 milhões de assinantes, tornando-a a terceira maior provedora de rede sem fio dos Estados Unidos.

Haverá alguns benefícios para os consumidores. Num primeiro momento, a combinação da infraestrutura de redes sem fio que em teoria vai posicionar a nova T-Mobile a oferecer serviços 5G por todo o país. Mas nem tudo são boas notícias.

De acordo com a FCC (Comissão Federal de Comunicações), quatro grandes operadoras — AT&T, Verizon, T-Mobile e Sprint — são responsáveis por 98% do mercado wireless nos Estados Unidos. Com essa fusão, os Estados Unidos terão três operadoras compartilhando porções iguais do mercado e a razão para competir vai se tornar menor ainda.

Possíveis consequências

John Legere, CEO da T-Mobile, tem dito que a fusão vai “criar um competidor forte” com a habilidade de entregar “preços menores” e “mais inovação”, mas basicamente tudo o que sabemos sobre esses negócios é exatamente o oposto.

Um exemplo disso é o Canadá, que conta com três grandes operadoras e não existe muito interesse de competição entre elas. O país conta com uma das tarifas telefônicas mais caras do mundo. O National Post explica que “telecoms canadenses estão em uma situação na qual não existe um incentivo real para que elas tentem tirar clientes umas das outras. As três empresas sabem que estão em melhor situação, pois os canadenses estão pagando uma das maiores tarifas de telefonia do mundo de telefonia móvel.”

Por mais simples que pareça, é mais fácil para as companhias trabalharem para minimizar a competição e maximizar lucros quando são apenas três em vez de quatro. A AT&T e a Verizon estão sendo investigadas por potencialmente terem se juntado para dificultar a troca de operadora, então não é tão difícil que tais arranjos sejam feitos.

O que torna essa situação pior é o fato que a T-Mobile tem sido um bom exemplo do que pode ocorrer quando há um incentivo para permanecer competitivo. A companhia quase foi comprada em 2011 pela AT&T, mas quando o negócio foi desafiado pelo Departamento da Justiça e a FCC, a T-Mobile começou a mudar sua abordagem.

A companhia mudou sua marca se definindo como “uncarrier” (a não operadora, em tradução livre) e começou a oferecer planos para concorrer diretamente com a AT&T ou a Verizon. A empresa acabou com contratos de fidelidade que duravam até dois anos, ofereceu centenas de dólares para que pessoas reincidissem seus contratos com outras operadoras, tornou mensagens e ligações ilimitadas um padrão e trouxe de volta planos ilimitados de dados que todos os seus competidores eliminaram.

Ao ser forçada a competir, a T-Mobile achou um nicho e forçou que AT&T e Verizon adotassem práticas semelhantes. As outras grandes operadoras derrubaram a necessidade de contratos, cortaram preços e criaram planos parecidos com os da T-Mobile. Mark Cooper, um pesquisador da Consumer Federation of America, disse à Vox em 2016 que a T-Mobile causou um “surto de concorrência”.

O surto de concorrência deve acabar (ou reduzir muito) quando Sprint e T-Mobile se unirem. A única coisa que pode impedir o negócio é o Departamento de Justiça do governo Trump, que tem agido com firmeza em casos antitruste, e a FCC, que é liderada por um antigo lobista do setor de telecom que afirma que existe um “cenário ferozmente competitivo” entre operadoras móveis
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[BloombergWall Street JournalVox]

Imagem do topo por Getty Images