Meu sócio Maurício Franco, o homem que enxergou primeiro o Gizmodo e o Jalopnik, com sua doma de chef, e eu

Dois anos de vida do Gizmodo no Brasil. Foram 24 meses que mudaram completamente a minha vida. Em 2008, o ano começou com o fim melancólico de um sonho profissional e de um projeto de vida no Rio de Janeiro (está curioso? Conheça um pouco da minha história antes da Spicy Media…). Voltei para São Paulo (para o Brasil, de certa maneira) com nada (ou muito pouco) no bolso ou nas mãos. Esvaziado na mente e no coração. Passei bem perto do fundo do poço em minha volta – em termos de conexão com o mercado, com as oportunidades, com o lado ensolarado do mundo profissional. Andei alguns metros no acostamento também em termos de autoestima e de autoconfiança. Aprendi que portas que imaginava abertas estavam na verdade fechadas. Aprendi que gente que eu imaginava amiga não era tão amiga assim. Precisei me reinventar.

Aí um dia meu amigo Maurício Franco me ligou e me fez um convite precioso – me queria como sócio para desenvolver uma oportunidade. Como aqueles que estão na bacia das almas (ou que ao menos se veem assim), nem pensei muito a respeito. Topei. E aí comecei um árduo processo de troca de pele, de mutação de DNA. Como não tinha muito a perder (ou era assim que me via em meio àquela situação), me atirei na trincheira do empreendimento e me dediquei a tirar uma empresa do zero, na unha, esfregando a cara na lama, batendo de porta em porta, vendendo uma visão de futuro, prometendo erigir um prédio bonito num descampado onde não havia nada – a empresa e o produto eram naquele momento um CD com uma apresentação e eu. E o aval, a garantia, o lastro ouro de toda essa venda antecipada ao mercado era a minha reputação – a única coisa que um cara como eu tem de verdade nessa vida.

Eu tinha uma década de experiência bem sucedida na mídia impressa na Editora Abril – editei Exame, ajudei a lançar a Você S.A., dirigi a Superinteressante, criei a Mundo Estranho, a Vida Simples, a Aventuras na História. E tinha pouco mais de um ano de mídia eletrônica, quando aprendi um pouco sobre como se faz televisão. E ali caía de cabeça no mundo digital. Lembro que enquanto montava o modelo de negócios do Gizmodo, chamei minha amiga e guru digital Gabriela Yamaguchi para me contar qual a diferença entre uma page view e uma impressão, entre um Superbanner e um Full Banner, o que era um ad server, uma click tag etc. (Gabi, mais tarde, veio a me indicar também o estupendo Leo Nishihata, editor chefe do Jalopnik. Ela merece ações da Spicy Media! O Pedro Burgos, que dispensa esse aposto, me foi indicado pelo meu querido amigo Alexandre Versignassi. Ou então pelo grande Sergio Gwercman. Já não lembro exatamente. Obrigado aos dois pelo Pedro, de todo modo. Pedro andou escrevendo aqui que é o jornalista mais feliz do mundo por dirigir o Giz e eu fiquei contente por ter lhe dado a oportunidade de gerar tantas alegrias para ele próprio e para nós todos.)

Acho que já contei isso aqui: o Projeto Gizmodo começou com um envio de 100 emails, ao melhor estilo cold call ou cold letter – o famoso contato não solicitado, a chamada cara dura. Obtive 70 respostas, e fiz 70 reuniões em duas semanas. Estreamos poucos dias depois com 8 contratos de publicidade e dois funcionários. Fomos para o pau. E deu certo. Com a sua ajuda, caro leitor. (Muito obrigado!) E com o auxílio dos nossos patrocinadores e parceiros. Isso eu nunca contei aqui: antes da estreia, no momento mais crítico do Projeto, quando você não sabe se as vendas vão se concretizar ou não, se você vai sobreviver ou não, recebemos duas propostas indecentes de receber um bom investimento e pagar uma propina por fora para as pessoas físicas envolvidas na transação, na agência e no cliente. É nessas horas, em que você está mais vulnerável, que seus valores são testados, que você escolhe quem você quer ser na vida. Resolvemos imediatamente que aquele caminho não nos interessava, que não existe meio corrupto nem contravenção leve, que devíamos ter tolerância zero com qualquer sugestão de desvio ético, ainda que pequeno e temporário. Fizemos a coisa certa. Aquele dinheiro acabou não fazendo falta. Nunca mais fomos sondados para nenhum tipo de maracutaia. E hoje eu posso contar essa história aqui, de público, sem nenhuma vergonha de chegar em casa e olhar para os meus filhos.

Do jeito certo, o Gizmodo Brasil está chegando a 800 000 usuários únicos e a 4 milhões de page views por mês, gerando um inventário de quase 30 milhões de impressões. Mais de 40 marcas já anunciaram conosco e já fizemos quase 20 projetos inesquecíveis de conteúdo – o conceito de brand content, que temos desenvolvido com muita força, com muito foco e, quero crer, com alguma competência, desde a nossa estreia. Quem não se lembra do HP Spot, do Jeito Speedy, do canal da Intel e do Skype? Quem é que consegue sobreviver sem a Trendy House da Pepsi?

A experiência do Gizmodo no Brasil certamente mudou algumas coisas ao redor. Inclusive e principalmente aqui mesmo, dentro da Spicy Media, em nossa percepção do mercado e das oportunidades.

E para encerrar com um clichê divertido e com uma notícia bombástica, gostaria de dizer que no aniversário do Gizmodo, quem ganha o presente é você! (Sempre quis escrever isso…) É com enorme prazer que anuncio oficialmente aqui, em primeira mão, a chegada ao Brasil do Kotaku, a bíblia dos gamers, o oráculo mundial da indústria de games, a bússola dos game lovers em escala planetária. O Kotaku Brasil estreia aqui mesmo pela Spicy Media, como o mais novo irmão do Gizmodo, em 8 de novembro de 2010. Anote aí. Programe-se. E nos ajude a espalhar a boa nova.