Uma nova fotografia espetacular capturada pelo telescópio espacial Hubble mostra uma galáxia que está sendo estrangulada por tentáculos de gás e poeira. O formato estranho desse objeto celestial é causado por um buraco negro supermassivo no seu núcleo – que está matando a sua galáxia hospedeira.

Um buraco negro solitário está gritando enquanto atravessa o universo
Estamos um passo mais próximos de provar que buracos negros evaporam



A galáxia, conhecida como NGC 4696, é localizada dentro do aglomerado galáctico de Centauro a cerca de 150 milhões de anos-luz de distância. Ela tem um formato elíptico razoavelmente padrão, mas uma observação mais de perto mostra que ela não é muito parecida com suas vizinhas.

A NGC 4696 conta com faixas de filamentos de ondulação feitos de poeira e hidrogênio ionizado, que estão espiralando para fora do corpo principal e para o espaço interestelar. Uma nova pesquisa sugere que um buraco negro supermassivo no núcleo da galáxia é o responsável por essas características – e também está impedindo que ela crie novas estrelas. A galáxia está basicamente morta.

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Astrônomos sabem sobre a existência dessa galáxia há algum tempo – é o membro mais brilhante do seu aglomerado – mas uma pesquisa realizada pela Universidade de Cambridge forneceu algumas novas informações sobre ela. Usando o telescópio espacial Hubble, os astrônomos conseguiram medir os filamentos empoeirados, descobrindo que eles têm em média 200 anos luz de comprimento, e contam com uma densidade cerca de 10 vezes maior do que o gás ao redor deles. Esses filamentos estão se juntando como fio, conectando o gás da galáxia ao seu núcleo brilhante.

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Uma foto de 2010 oferece uma perspectiva diferente da galáxia NGC 4696. Via ESA/Hubble e NASA.

Os pesquisadores dizem que o buraco negro supermassivo no núcleo galáctico é o responsável pelo formato e posicionamento desses filamentos. A energia produzida por ele está aquecendo os gases ao redor, enviando fluxos de material super-quente para fora e empurrando o material filamentário – e até mesmo o campo magnético da galáxia – junto. Os filamentos ao redor do buraco negro são eventualmente engolidos.

Por mais que tudo seja bonito, o processo pode explicar porque a galáxia parece atrofiada. As estruturas magnéticas que fluem por toda a galáxia evitam qualquer gás de criar novas estrelas. Sem novas estrelas nascendo, as estrelas que já existem vão continuar envelhecendo até morrer, fazendo com que esse setor do espaço apague completamente no futuro.

[Hubble]

Foto de topo via NASA, ESA/Hubble, A. Fabian