Benchmarks existem para medir o desempenho de um smartphone durante o uso normal. Mas em julho, a Samsung foi pega no flagra manipulando testes de benchmark para fazer o Galaxy S4 parecer melhor do que é. Em vez de parar com essa atitude questionável, ela repetiu a dose no Galaxy Note 3 – e ele nem precisava disso.

O Ars Technica ficou com uma pulga atrás da orelha depois que o Note 3 se saiu muito melhor que o LG G2 em testes de processador – apesar de ambos terem exatamente o mesmo chip Snapdragon 800.

Como ele consegue este feito? Há um arquivo que força todos os núcleos do processador a operar no máximo, a 2,3 GHz, sem nunca desligar, quando um app de benchmark é aberto. Esse arquivo lista apenas apps de benchmark, como Geekbench, Quadrant, Antutu e Linpack.

É possível enganar o Note 3, no entanto, para que ele não ative esse modo artificialmente rápido: basta renomear o app – Stealthbench em vez de Geekbench, por exemplo – e ele revela seu desempenho real.

Eis o que o Ars Technica descobriu: a manipulação faz o Note 3 ficar 20% mais rápido do que no teste mais justo. Sem ela, o desempenho fica mais próximo ao do LG G2.

samsung note 3 benchmark

A Samsung queria fazer o Note 3 parecer mais rápido do que ele realmente é. No entanto, ela nem precisava dessa tática: veja que ele se sai um pouco melhor que o LG G2 mesmo sem a manipulação.

Essa prática não é novidade: Nvidia, Intel e AMD já foram acusadas de turbinar benchmarks com seus processadores ou placas de vídeo – mas isso não justifica a atitude da Samsung.

Talvez a Samsung repita os argumentos que usou para se defender no caso do Galaxy S4. A empresa disse na época que turbinava “certos apps em tela cheia”, como o navegador, galeria e câmera, então o benchmark era válido em alguns casos.

Mas, para o Note 3, essa resposta não convenceria. Note que a LG, sua concorrente direta, não adota essa prática: tanto o G2 como o Nexus 4 funcionam normalmente ao rodarem benchmarks, sem forçar os núcleos a operarem no máximo.

A Samsung ainda não respondeu às acusações. [Ars Technica via @rafarigues]