Ontem, um programa de computador passou no teste de Turing, supostamente pela primeira vez. Mas foi uma vitória controversa, e há quem diga que ela nem mesmo é tão importante. Mas é! Vamos conversar sobre isso.

O que deixou tanta gente tão empolgada?

Neste final de semana, um programa de computador convenceu com sucesso 33% de um painel de jurados de que ele era um garoto de 13 anos chamado Eugene. Pode ser a primeira vez que uma máquina passou no teste de Turing, desde que o famoso pioneiro da computação Alan Turing introduziu o conceito em 1950.

Tá, mas o que é o Teste de Turing?

Boa pergunta. Parece haver alguma confusão sobre o que exatamente o Teste de Turing deve medir. Sua finalidade não é indicar se uma máquina alcançou inteligência artificial ou senciência; não estamos falando da Skynet aqui.

Nos termos mais simplificados possíveis, o teste de Turing mede se uma máquina pode imitar com sucesso um ser humano. É mais um chatbot inteligente do que Eu, Robô. Na verdade, alguns argumentam que o chatbot ELIZA, dos anos 60, foi o primeiro a passar no teste: ele imita um psicólogo e reformula as respostas do “paciente” na forma de perguntas. (Isso, no entanto, também é questionado.)

Turing também estabelece que, para passar no teste, o computador não pode ser identificado como tal por 30% de jurados humanos em até cinco minutos de conversa.

Por que esta vitória é tão controversa?

Primeiro, o teste de Turing impõe um limite muito baixo para se passar: só 30% dos testadores precisam ser enganados.

Ele também não é um teste de inteligência de computador, e sim da credulidade humana. Quer dizer, um chatbot ruim pode passar no teste se os juízes não estiverem familiarizados com os sinais dignos de um chatbot.

Isso geralmente importa pouco quando o painel inclui especialistas no campo da ciência da computação. Neste caso, ele incluía um ator da comédia britânica Red Dwarf e um político da Câmara dos Lordes britânica. Mesmo se eles forem mentes brilhantes, eles não são especificamente treinados nesta área.

Além disso, o Eugene tecnicamente passou no Teste de Turing, mas de uma forma questionável: seus criadores decidiram imitar a forma mais simples possível de conversa reconhecidamente humana – um adolescente para quem o inglês é uma segunda língua. Em outras palavras, o Eugene passou no teste de Turing imitando um ser humano cuja resposta seria confusa até nas melhores circunstâncias.

Então… não devemos nos preocupar?

Aí é que está: mesmo com todas essas ressalvas, esta ainda é uma descoberta absolutamente deslumbrante. O Eugene não é o primeiro chatbot a arranjar um jeito de vencer o teste, mas é o único a ter feito isso em circunstâncias respeitáveis.

E mesmo que os juízes não sejam ganhadores do Prêmio Nobel, a maioria dos seres humanos que seriam enganados por um chatbot também não são gênios ou especialistas. Este é um grande feito, e o entusiasmo é justificável.

A desilusão na verdade vem do próprio Teste de Turing: ele é uma regra útil, porém subjetiva por natureza, e estabelece um limite muito baixo.

E agora?

Não se preocupe, o HAL 9000 não está prestes a aparecer por causa dessa vitória. Mas isso sinaliza que entramos oficialmente em uma era da computação na qual programas são capazes de fingir que são humanos – mesmo que seja um garoto de 13 anos com vocabulário limitado.

As implicações disso se estendem até onde a imaginação permite. Chatbots de suporte técnico, chatbots de marketing, chatbots sexuais estranhos, chatbots sexuais normais, chatbots de suporte técnico que fazem marketing de sexo. E talvez ainda mais importante: nós podemos finalmente deixar o teste de Turing de lado e focar no próximo grande marco de computação. Só então teremos uma Skynet para nos amedrontar.

Imagem por Takito/Shutterstock