Em nossas quartas ilustradas, que estamos batizando de Giz Reunions, recebemos em nossas suntuosas instalações a visita de um profissional de destaque que fala para o time da Spicy Media – Gizmodo mais Jalopnik mais área de Brand Content – sobre a sua área de expertise. Tomamos uma aula e sabatinamos também. Esta semana tivemos conosco Gustavo Schmitz, 26, diretor de operações da Riot (e primeiro funcionário da empresa!). 

A Riot é uma das agências especializadas em mídias sociais líderes de mercado – junto com Espalhe, One/Dudinka e Pólvora, por exemplo. O que eles fazem? “Fazemos buzz marketing no ambiente online: ativamos ações das marcas em canais relevantes, em busca de reverberação; estimulamos a conversação positiva sobre as marcas na internet e controlamos os resultados disso tudo”, diz Gustavo. 

Gustavo começou nos mostrando por que as marcas precisam investir em mídias sociais: 51% dos 67 milhões de usuários de internet no Brasil buscam informação e tomam decisões a partir do que lêem em blogs. Mídias sociais, na acepção corrente, você sabe, é a soma da blogosfera (ambiente em que nós, da Spicy Media, atuamos com o Gizmodo e o Jalopnik) com as redes sociais: Facebook, Orkut e cia. 

E aqui alguns dados que Gustavo nos trouxe e que talvez você não tenha na ponta da língua: o Orkut tem 27 milhões de usuários no Brasil. Sendo que somente o Colheita Feliz, um aplicativo do Orkut semelhante ao Farmville (uma das febres do Facebook), mantém nada menos que 21,6 milhões de brasileiros plugados – o que é bem mais do que a soma dos usuários do Facebook (8 milhões) e do Twitter (8,8 milhões) no País… Mais: o Brasil tem 700 mil blogs e responde pelo maior número de page views em redes sociais entre todos os países. Os usuários brasileiros são também os que mais postam vídeos na internet. 

 

Relacionamento com blogueiros 

A discussão ficou bem interessante quando passamos a refletir sobre o relacionamento das marcas e de suas agências – de mídias sociais, de publicidade, de PR etc – com os blogueiros.  

A grande questão é a seguinte: quase nenhuma empresa imagina que ao comprar um pacote de mídia (anunciar) na Veja, por exemplo, a maior e mais influente revista mensal do Brasil, vá ganhar algumas matérias “favoráveis” na revista. E o leitor de Veja costuma ter a certeza de que as coberturas editoriais de Veja, alinhadas ou não com o que ele pensa, equivocadas ou não do ponto de vista ideológico e mesmo de enfoque jornalístico, tenham qualquer influencia “comercial”.  

No ambiente de blogs, infelizmente, estimulados talvez pela relativa imaturidade do meio, os relacionamentos ainda não são nem tão claros nem tão respeitosos. Ainda há marcas que esperam contrapartida “editorial” de um blog por conta de um investimento “comercial”. Não importa que esse blog seja um veículo influente – e que essa influência, que é o que no fundo interessa à marca, decorra exatamente da sua independência editorial.  

No Giz mesmo já vivemos isso: deixamos de receber campanhas por conta de alguns reviews eventualmente negativos que fizemos de alguns produtos de determinada marca. Chegamos a entrar no black list de PR de determinadas empresas – deixando até mesmo de receber releases! – por conta de nossa independência. A pergunta que faço é: se a Veja não sofre esse tipo de pressão direta, por que sofremos nós? E eu mesmo respondo: porque somos menores e mais vulneráveis em termos financeiros. Ou seja: no final das contas, se trata de um calculado exercício de abuso de poder econômico. Quem souber resistir a esse assédio vai colher os frutos da credibilidade – um negócio sem preço e difícil pacas de construir. Quem imaginar que conseguirá alguma coisa com táticas desse tipo certamente não irá longe. 

A conversa com o Gustavo evolui para a percepção de que há coisa pior: posts “comprados”. Quando o blogueiro recebe da empresa o texto que vai depois assinar como se fosse seu. Isso chama-se traição ao leitor – ou usuário, telespectador, ouvinte. Quando você vende a sua isenção, a sua opinião e, portanto, a sua alma como produtor de conteúdo. Isso significa romper a mais sagrada das relações para um veículo: a confiança da audiência – que é precisamente o que lhe dá sustentação e coisa que deveria ser defendida à bala. 

Chegamos todos à conclusão de que só há uma forma correta de subir um  post patrocinado ou post pago: avisando ao usuário quem é que está falando com ele naquele momento. Alguns blogs, como Papo de Homem e Digital Drops, colocam o selinho AP – artigo patrocinado – ao final do post. Aqui no Gizmodo e no Jalopnik, subimos os posts de Brand Content sempre com um botão e um fullbanner que avisam os leitores sobre quem está assinando aquela informação. 

No mundo offline, isso seria o equivalente dos informes publicitários especiais. (Embora a gente faça, quero crer, de modo muito mais integrado, com mais graça, atratividade e envolvimento…) O mundo offline, aliás, onde habitam nossos irmãos mais velhos, tem muito a nos ensinar. Quem atua na internet tem a tendência de tentar sepultar o mais rápido possível a experiência do mundo dos tijolos – mas há ali muitas lições de como fazer e como não fazer que são muito úteis e urgentemente necessárias nessa novíssimo mundo online. 

Voltamos a falar sobre isso. Por ora, vale por um ponto final – antes que esse post fique TLTR, ou too long to read, como me ensinou esses dias o Pedro Burgos, nosso editor chefe – agradecendo outra vez ao Gustavo e a Riot que gentilmente estiveram conosco e nos ajudaram a refletir um pouco mais sobre essas questões que são para lá de relevantes para quem vê a internet como a sua casa e não como a casa da Mãe Joana. Esse é definitivamente o nosso caso aqui na Spicy Media.