Desde seu início, o Gmail analisa de forma automática os emails que você recebe, a fim de exibir propagandas. E desde 2008, o Google tem um sistema que identifica imagens de pornografia infantil. Agora, está claro que essas duas iniciativas são conjuntas: a empresa teria alertado a polícia em Houston (EUA) após detectar que John Henry Skillern tentava enviar imagens explícitas de uma menina por e-mail.

O Google explicou no ano passado que, para combater a pornografia infantil, “cada imagem infratora recebe uma identificação única, que nossos computadores podem reconhecer sem que humanos tenham que vê-la novamente”. Ou seja, provavelmente não havia ninguém olhando a caixa de entrada de Skillern, porque tudo deve acontecer de forma automática.

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Daí em diante, coube à polícia fundamentar a acusação, e foi isso que aconteceu: após obterem um mandado, eles encontraram fotos de crianças nuas no celular e no tablet dele, mais mensagens e e-mails nos quais Skillern falava sobre seu interesse por crianças.

Skillern foi condenado por assediar sexualmente um menino de oito anos em 1994. Ele trabalha em um restaurante fast-food; no celular dele, foram encontrados vídeos de crianças visitando o local com os pais, segundo a polícia.

É bom que Skillern seja responsabilizado pelo crime – ele está detido sob fiança de US$ 200.000 – mas a maioria das pessoas não usa o Gmail para esses fins. Mesmo assim, a privacidade delas não está garantida. O Google diz nos seus termos de serviço, atualizados em abril:

Nossos sistemas automatizados analisam o seu conteúdo (incluindo e-mails) para fornecer recursos relevantes para cada pessoa, tais como resultados de busca personalizados, publicidade direcionada, e detecção de malware e spam. Esta análise ocorre quando o conteúdo é enviado, recebido, e quando está armazenado.

Vale notar que isso se aplica a todos os serviços do Google. E vale lembrar que o Outlook.com, Yahoo Mail e contas iCloud também fazem o mesmo. Sim, às vezes “bisbilhotar” o e-mail de forma automática pode ser usado para o bem; mas isso também significa que sua expectativa de privacidade no e-mail deveria ser bem menor do que provavelmente é. [KHOU via Business Insider via Engadget]

Imagem por Cairo sob licença Creative Commons