As pessoas criticam as regras da Apple sobre quais apps podem ou não ser permitidos no iTunes, e com razão. Muito do que atrai os usuários em computadores é a possibilidade de decidir o que instalar. O controle total da Apple sobre o iTunes significa que este não é mais o caso, se um ou mais de seus computadores – na forma de celular ou tablet – rodar iOS.

A Apple merece um pouquinho de crédito por abertura na App Store. Eles permitem o app do Spotify para iPhone, serviço de streaming de música, há mais de dois anos, mesmo que uma assinatura no Spotify faça as pessoas comprarem menos músicas do iTunes.



Agora, a Apple nos pega de surpresa autorizando um app de US$2 para iOS, que permite a usuários do iPhone, iPod Touch e iPad fazer streaming da música armazenada em sua conta do Google Music Beta, em vez do iCloud da Apple. O app tem até modo offline! Peraí, mas Apple e Google não eram inimigos na nuvem?

O app da Interactive Innovation Solutions, com o longo nome gMusic: A native Google Music player (US$2) funciona – quase sempre – muito bem ao tocar até 20.000 músicas armazenadas no seu repositório de música do Google. Basta colocar seu nome e senha da conta Google, e o app exibe suas músicas, álbuns, playlists, artistas e gêneros musicais em um menu fácil de navegar. As mudanças feitas no seu Google Music aparecem quase que instantaneamente no seu iPhone.

Fora isso, ele funciona bastante como o player de música nativo do iOS, só que as músicas vêm da nuvem do Google, em vez da memória do seu aparelho ou do iCloud.

Sim, nós encontramos bugs: o app travou duas vezes em dez minutos, e tentar tocar música no modo Avião gerou uma mensagem de erro recursiva sobre não conseguir acessar o servidor. A única forma de eliminar a mensagem era fechar o app e começar de novo.

Mas uma função nos ganhou assim que a encontramos, apesar de não ser perfeita: poder salvar qualquer música, álbum, playlist, artista e gênero para reprodução offline. Como é melhor não confiar na conexão de dados para fazer streaming de música – você vai gastar um bocado, ou vai usar sua cota mensal muito rápido – esta é uma função quase que obrigatória. (O Grooveshark tem app para iOS com modo offline, mas ele requer jailbreak e assinatura mensal de US$9.)

Você pode carregar o app de músicas offline usando o Wi-Fi e tocá-las no seu dia a dia, sem perder os megabytes do seu plano de dados. Para fazer isto, basta tocar o triângulo próximo a tudo em uma lista e escolher “Offline”.

Mas se seu iPhone estiver em modo avião, o app gMusic não funciona. Então mesmo que você tenha selecionado algumas músicas para armazenar offline e ouvir durante seu voo, o app não vai tocá-las. Este é um erro besta, e esperamos que a IIS o corrija em breve.

O gMusic prova dois conceitos importantes. Primeiro, a Apple aprova apps que toquem músicas em serviços na nuvem de outras empresas – mesmo de concorrentes diretos ao iCloud. Segundo, desenvolvedores podem criar apps que reproduzam músicas do Google Music Beta, o que lhes dá todo tipo de opção: remixagem, DJ, karaokê, compartilhamento social, criação de toques para celular… Tudo o que o acesso a músicas do Google Music possa oferecer. O mesmo é possível com o iCloud, pelo menos depois que as músicas são baixadas.

É um bom momento para ser fã de música quando gigantes como a Apple e o Google podem lidar com suas necessidades de armazenamento na nuvem, e mesmo assim você pode escolher em qual app ou aparelho você quer acessá-la.

O Evolver.fm observa, acompanha e analisa o mundo dos aplicativos de música – porque eles são cruciais para a experimentação humana com música – e como essa experiência está evoluindo.