Duas pessoas foram presas nesta semana por envolvimento em um esquema de fraude que manipulou milhares de vítimas para que elas pagassem por serviços de tecnologia falsos que eram desnecessários.

O Departamento de Justiça dos EUA anunciou que dois indivíduos — Romana Leyva, 35, e Ariful Haque, 33 — foram presos na quarta-feira por sua suposta participação no esquema de fraude, que envolvia convencer vítimas — muitas das quais eram idosas — nos EUA e no Canadá sobre a necessidade de serviços de proteção tecnológica e contra vírus. Os serviços não eram reais nem necessários.

Entre março de 2015 e dezembro de 2018, Ariful e Haque estiveram supostamente envolvidos com o grupo de fraude responsável pelos crimes.

De acordo com uma acusação não selada, o esquema envolvia atingir as vítimas com janelas pop-up — às vezes sob o disfarce de ser uma empresa legítima de tecnologia — que alegava que o computador havia sido infectado por um vírus.

O pop-up as instruía a ligar para um número de suporte técnico. Em alguns casos, a mensagem ameaçava que, se o indivíduo fechasse a janela ou desligasse o computador, isso danificaria o dispositivo ou resultaria em uma “perda completa de dados”.

Depois que os usuários entravam em contato com o número, eles eram conectados a um técnico falso. Para convencer as vítimas a entregar dinheiro, depois de receber “permissão” da vítima, o grupo de golpistas supostamente acessava de modo remoto o computador do indivíduo, instalava uma ferramenta antivírus disponível gratuitamente on-line e informava o indivíduo que seu computador estava infectado por um vírus (que, novamente, era uma mentira).

Em muitos casos, os fraudadores conseguiam convencer as vítimas a pagar centenas ou até milhares de dólares por serviços falsos para resolver o problema de mentira. A organização criminosa conseguiu dar instruções de como fazer o pagamento deixando um arquivo de texto nos computadores das vítimas.

A acusação alega ainda que algumas vítimas foram novamente enganadas pelos fraudadores. Contatadas pela operação novamente, as vítimas foram informadas de que a empresa contratada para o suporte vitalício tinha sido encerrada e precisava reembolsá-las.

Depois de obter as informações bancárias da vítima, a operação “alegava ter pago um reembolso muito grande devido a erro de digitação (…) e instruía a vítima a ‘reembolsar’ o grupo de golpistas, por meio de milhares de dólares em vale-compras”, alega a acusação.

Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, o esquema conseguiu enganar com sucesso “no mínimo” 7.500 vítimas e extorquiu um total de US$ 10 milhões. O procurador federal em Manhattan, Geoffrey Berman, disse em comunicado que o esquema “atacava os idosos”.

“Os conspiradores supostamente fizeram com que janelas pop-up aparecessem nos computadores das vítimas — janelas pop-up que alegavam, falsamente, que um vírus havia infectado o computador da vítima”, disse Berman. “Com essa e outras deturpações, esse esquema de fraude enganou milhares de vítimas, incluindo alguns dos membros mais vulneráveis ​​da sociedade, a pagar um total de mais de US$ 10 milhões”.

Leyva foi presa quarta-feira em Las Vegas, enquanto Haque foi preso no mesmo dia em Bellerose, Nova York. Ambos são alvo de duas acusações, uma de fraude eletrônica e uma de conspiração para cometer fraude eletrônica. Cada uma delas acarreta uma pena máxima de 20 anos de prisão.