A Turquia sofreu uma tentativa de golpe militar na noite de sexta-feira (15). Uma ala do Exército do país afirmava ter tomado o controle do governo e poucas horas depois o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, convocava o povo a se manifestar. As redes sociais tiveram papel importante no desenrolar dos acontecimentos.

Entrevista por FaceTime

Pouco antes da meia-noite na Turquia (18h de Brasília), um comunicado das “forças armadas turcas” anunciava a proclamação da lei marcial e um toque de recolher em todo o país. Com as linhas oficiais cortadas, o presidente Erdogan deu uma entrevista à CNN Türk remotamente, usando o FaceTime.

“Vão para as ruas e deem à eles uma resposta”, disse Erdogan enquanto a âncora segurava o smartphone para a câmera. O vídeo pode ser visto pelo Facebook.

CNN pelo Facebook Live

A CNN Türk teve a transmissão interrompida depois que o prédio foi tomado por militares armados. A emissora, no entanto, continuou transmitindo os eventos pelo Facebook Live.

De acordo com o The Guardian, um grupo de soldados chegaram ao Dogan Media Center, onde ficam os estúdios da CNN Türk e forçaram os âncoras e demais jornalistas a saírem do prédio. Os repórteres resistiram à ação e era possível ouvir gritos e explosões no fundo.

O streaming foi acompanhado por milhares de pessoas e muitas delas procuravam, nos comentários, traduzir para o inglês o que era possível ouvir. A CNN voltou ao ar depois que manifestantes pró-governo retomaram o prédio.

População

A população também usou as redes para cobrir os acontecimentos. Por meio da ferramenta ‘Live Map‘ do Facebook era possível acompanhar todas as Lives iniciadas no país. A imagem abaixo mostra as dezenas de transmissões sendo realizadas durante o golpe.

facebook-live-map

O Twitter também foi plataforma importante na cobertura. As primeiras imagens e vídeos de Istambul e Ancara foram postadas no microblog.

“As pessoas se reuniram e gritam: ‘Lado a lado, somos contra o golpe.”


“Veja a revolução civil contra os inimigos da democracia”

Resistência ao golpe

Na manhã deste sábado (16), Recep Tayyip Erdogan anunciou que seu governo resistiu à tentativa de golpe militar. De acordo com informações de agências de notícias internacionais, mais de 2.300 militares foram presos e centenas dos soldados renderam-se.

O primeiro-ministro Binali Yildirim afirmou que foram 161 mortos e 1.440 feridos, sem contar os golpistas. Entre as vítimas estão civis, policiais e militares que apoiam o governo. Umit Dundar, chefe do exército, havia informado sobre 104 golpistas mortos. O número de mortos pode chegar a 265, somando as vítimas listadas pelo governo e pelo chefe do exército.

Por meio de sua conta no Twitter, o presidente pediu que “o povo continue nas ruas para defender a democracia”.

Imagem do topo: AP Photo/Emrah Gurel.