O plano do Google para voltar a operar na China é real. A informação foi confirmada nesta terça-feira (16), pelo CEO da companhia, Sundar Pichai, durante a conferência WIRED 25 Summit.

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Esta é a primeira vez que o principal executivo do Google fala sobre o tema publicamente. Anteriormente, Keith Enright, diretor de privacidade do Google, havia falado sobre o projeto em depoimento ao Senado dos Estados Unidos, em setembro deste ano.

Segundo o CEO da empresa, os testes internos da ferramenta têm sido promissores, e 99% das buscas feitas pelos usuários seriam bem respondidas. “Existem muitas áreas nas quais poderíamos oferecer informações melhores do que aquelas que estão disponíveis.”

Pichai defendeu a ideia de voltar a operar na China, dizendo que o acesso à informação é um dos valores do Google. “Estamos impelidos por nossa missão de oferecer informações para todos, e a China representa 20% da população mundial”, disse. O CEO afirmou ainda que diversos fatores foram colocados na balança, incluindo “acesso à informação, liberdade de expressão e privacidade dos usuários”, mas também “as leis de cada país”.

O discurso não ficou apenas no mundo ideal; Pichai falou de mercado também. “Dada a importância do mercado e a quantidade de usuários que existem lá, nos sentimos obrigados a pensar com cuidado sobre esse problema e optamos por uma visão de longo prazo”, disse.

Conhecido como Projeto Dragonfly, a nova tecnologia do Google tem sido desenvolvida ao longo dos anos e já foi demonstrada às autoridades do governo chinês, segundo reportagens do Intercept, que revelou a existência do produto. Os planos para a nova ferramenta de buscas inclui aplicativos Android que permitiriam que usuários pesquisassem no Google sem serem expostos a informações que o governo considera inaceitáveis.

A China possui um pesado sistema de censura. Os censores chineses proíbem palavras e frases que são vistas como subversivas, incluindo referências ao livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, à personagem de desenho animado Peppa Pig e até mesmo ao Ursinho Pooh.

O Google se retirou da China em 2010, em meio a preocupações com censura e um ciberataque que comprometeu contas de alguns ativistas de direitos humanos. Em agosto deste ano, cerca de 1.400 funcionários do Google assinaram uma carta aberta enviada para a gerência pedindo para “saber o que estavam desenvolvendo” e solicitando a implementação de um processo que assegurasse que o projeto atendesse aos princípios da empresa.

[Wired]

Imagem do topo: CEO do Google, Sundar Pichai, em 2017. Crédito: Eric Risberg (AP)