Parece que a Google está seguindo os passos da Apple e desenvolvendo seus próprios processadores para Chromebooks e tablets. Segundo uma reportagem do jornal Nikkei Asia, chips feitos internamente pela Google devem começar a sair de fábrica já em 2023 — e a circular à bordo de dispositivos logo depois.

Os rumores acompanham a notícia recente de que a Google já está trabalhando em processadores próprios para dispositivos mobile. O smartphone Pixel 6 deve ser o primeiro a ostentar um chip de silício da companhia. Citando fontes mantidas em anônimo, o site Nikkei Asia diz que a Google estava “especialmente inspirada” pelo sucesso da Apple com os processadores série A [A14, A15, etc] usados em seus iPhones. Algo que também serviu de inspiração foi o anúncio, no fim do ano passado, de que a companhia começaria a adotar os chips M1. Assim como a Apple, o Google também planeja fabricar processadores ARM, segundo rumores.

A vantagem da produção interna é permitir que as companhias criem um processador customizado, que atenda exatamente às suas necessidades. O argumento é o mesmo pelo qual roupas feitas sob medida caem melhor do que aquelas que você tira do cabide da loja. Projetando seu próprio chip, a empresa consegue contornar restrições dos fornecedores que podem limitar suas pretensões de oferecer funções exclusivas. Google e Apple não são as únicas empresas a optarem pela produção interna. A Samsung tem um histórico longevo de produção interna dos chips Exynos. A Huawei também tem apostado cada vez mais em usar seu próprio chip de silício, Kirin, no design de seus produtos.

Um bom exemplo dos benefícios da produção interna de chips vem da linha Samsung Galaxy Watch 4. Enquanto outros relógios com sistema operacional Wear OS confiam na Qualcomm para produzir chips, a Samsung acabou de criar o seu próprio, o Exynos. E ele é um dos principais motivos por trás do fato de a Samsung ter conseguido oferecer certos recursos sofisticados em smartwatches Android bem antes de marcas rivais. Mesmo hoje, após terem combinado esforços com o Google, os relógios smart da Samsung oferecem bom poder de processamento graças ao seu chip Exynos de 5 nanômetros. Enquanto isso, outros fabricantes de smartwatches Android ficaram para trás com processadores “vestíveis” ultrapassados da Qualcomm — o setor de “wearable” da companhia está começando a ganhar atenção só agora. Da mesma maneira, a Intel bateu cabeça por anos para trocar sua produção de processadores de 14 nanômetros pela de 10 nanômetros, e também vem tendo dificuldades em lançar seu chip de 7 nanômetros.

No geral, essa tendência de que fabricantes mudem para a produção interna não é uma notícia tão boa para companhias como a Intel, Nvidia, Mediatek, e Qualcomm. No entanto, centralizar a produção é uma alternativa limitada a companhias que possuem milhões para dedicar ao desenvolvimento de processadores de última geração. Companhias como o Google, por exemplo.

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Ainda precisamos esperar para ver como essa tendência vai se desenrolar ao longo dos próximos anos. Uma coisa é fato: o chip Tensor, produzido internamente pela Google, vai ser um bom indicativo do que os processadores da empresa podem fazer — e os recursos que eles podem permitir aos dispositivos.