O Google anunciou oficialmente o que já sabíamos há dois anos e meio – o Google Glass não está morto, a companhia estava apenas desenvolvendo novamente as tecnologias para o mercado corporativo e, especificamente, operários de manufaturas.

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Hoje, a companhia-mãe do Google, a Alphabet, anunciou o Glass Enterprise Edition – uma versão atualizada que tem como alvos trabalhadores de fábricas e médicos. O desenvolvimento do Enterprise Edition foi noticiado pela primeira vez em 2015, graças a uma proposta de patente da companhia no FCC (Comissão Federal de Comunicações dos EUA). Em maio de 2016, conseguimos entender melhor os planos do Google graças a uma pessoa que anunciou um dispositivo Enterprise Edition no eBay. Houve também notícias de que funcionários da Tesla estavam utilizando os headsets no ano passado dentro da fábrica em Fremont, na Califórnia.

O renascimento do Glass não é tão surpreendente assim. Porém, agora, ele não está mais escondido. Desde que o Google descontinuou a primeira versão do Glass no começo de 2015, foram distribuídos protótipos da próxima geração para empresas como Boeing, DHL, GE e Volkswagen e então o produto foi aprimorado de acordo com os retornos. Agora, como o líder de produto do Glass, Jay Kothari, escreveu em uma publicação no Medium hoje, mais de 50 empresas estão utilizando o headset.

A primeira versão “Explorer Edition” do Glass não cativou consumidores casuais porque tinha muitos problemas, além de ter levantado preocupações com a privacidade. Fora que quem vestia o dispositivo ficava parecendo uma pessoa boba. O Google vacilou, como Astro Teller, líder da divisão X da Alphabet, admitiu para a revista Wired na matéria que destaca o Enterprise Edition. A empresa “saiu da pista”.

Mas enquanto o Google estava focando em consumidores, algumas empresas começaram a colocar softwares customizados dentro do Glass e então o utilizaram de formas que facilitam seus trabalhos – por exemplo, guiando funcionários durante as tarefas para que eles não precisassem consultar constantemente o manual de instruções. O Google percebeu isso e reequipou o dispositivo para servir especificamente para o mercado corporativo.

Agora, o Enterprise Edition mira em operários e profissionais da medicina que podem usar o Glass para consultar referências médicas, registrar e transcrever notas enquanto estão com pacientes. Isso significa que provavelmente você não conseguirá colocar as mãos em um Glass tão cedo – a menos que a empresa na qual você trabalha tenha interesse no dispositivo.

Parece que o Google está bancando a adoção generalizada nas fábricas. O repórter Steven Levy, da Wired, descreve que viu o dispositivo sendo utilizado na fábrica de equipamentos para agricultura da Agco. O Glass guia os trabalhadores em cada passo, então eles podem olhar para a tela e se assegurarem de que estão executando a tarefa corretamente e utilizando as peças corretas. Quando a tarefa é finalizada, o usuário diz para o robô: “OK, Glass, prossiga”.

De acordo com Levy, alguns dos funcionários da Agco abraçaram a tecnologia, enquanto outros – principalmente os mais velhos – ficaram céticos a respeito do dispositivo. Mas a companhia está considerando algumas maneiras para deixar seus empregados mais confortáveis – incluindo a instalação de um “balcão no banheiro” para que os usuários possam tirar os headsets antes de utilizá-los no trabalho.

E aqui reside a maior preocupação em relação aos próximos capítulos envolvendo o Glass. Por que os trabalhadores não deveriam estar cautelosos com um dispositivo de propriedade da empresa que lhes diz o que fazer e que pode ser usado para monitorar constantemente seu trabalho?

A partir de agora, mais empresas poderão ver se o Google Glass poderá ajudá-los a operar de forma mais segura e eficiente. No entanto, mais funcionários terão que se acostumar a usar um monitor que registra tudo o que eles vêem e fazem.

Imagem do topo: Agco