O Escritório de Programas Federais de Conformidade de Contratos do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos anunciou ter chegado a um acordo com o Google, que agora vai pagar ou reservar US$ 3,8 milhões (R$ 20 milhões na conversão atual) para remediar alegações de ter discriminado mais de 5 mil mulheres e engenheiros asiáticos. Do valor total, mais de US$ 2,5 milhões (R$ 13 milhões) serão destinados para os trabalhadores.

No acordo, o Departamento do Trabalho (DoL, na sigla em inglês) diz ter descoberto que o Google pagava menos a mulheres engenheiras de software do que aos homens. Além disso, o órgão constatou que era menos provável para o Google contratar mulheres e candidatos asiáticos. Falando sobre o caso em 2017, a advogada regional do DoL, Janet Herold, disse ao The Guardian que a agência encontrou evidências de que a discriminação do Google contra as mulheres era “bastante extrema”, mesmo para a indústria de tecnologia.

O custo definido pelo acordo será dividido da seguinte maneira: US$ 1,3 milhão (R$ 6,95 milhões) em retribuição a engenheiras que foram sujeitas a discriminação salarial; US$ 1,2 milhão (R$ 6,41 milhões) para mulheres e candidatos asiáticos que não foram contratados; e US$ 1,25 milhões (R$ 6,68 milhões) reservados para criar igualdade de remuneração.

O acordo não possui dados concretos que exemplifiquem a gravidade da discriminação. Contudo, há um detalhe em um outro processo em andamento por discriminação de gênero movido por quatro ex-funcionários contra o Google. Nesse caso, os acusadores encomendaram uma análise do professor de economia da Universidade da Califórnia em Irvine, David Neumark. O acadêmico descobriu que, entre 2014 e 2018, as mulheres em toda a empresa ganharam em média US$ 16,7 mil menos por ano do que os homens, e US$ 1,9 mil menos em média do que os homens em funções idênticas no ambiente de trabalho. Os demandantes pediram ao tribunal que aprove a situação da ação coletiva para incluir outras 10 mil mulheres.

No ano passado, a vice-presidente de operações de pessoal do Google, Eileen Naughton, disse à Bloomberg que as alegações no processo são “infundadas”, e que o Google analisa e corrige regularmente disparidades salariais baseadas em gênero.

Há anos funcionários do Google também relatam casos de discriminação racial interna – em junho de 2020, os brancos constituíam a maioria da liderança da empresa. Naquele mesmo mês, o CEO da companhia, Sundar Pichai, prometeu que a empresa trabalharia para melhorar a diversidade racial no nível executivo e acrescentou uma “ligação de talentos” para cada setor da empresa para contratar e reter mais membros de “grupos sub-representados”.

Em um e-mail enviado ao Gizmodo, o Departamento do Trabalho dos EUA se recusou a comentar o assunto. O Google, por sua vez, deu a seguinte declaração:

Acreditamos que todos devem ser pagos com base no trabalho que fazem, não em quem são, e temos investido pesado para tornar nossos processos de contratação e compensação justos e imparciais. Nos últimos oito anos, realizamos análises de equidade salarial interna anualmente para identificar e resolver quaisquer discrepâncias. Estamos satisfeitos por ter resolvido este assunto relacionado às alegações das auditorias entre os anos de 2014 e 2017, e permanecemos comprometidos com a diversidade e equidade e em apoiar nosso pessoal de uma forma que lhes permita fazer seu melhor trabalho.