A Alphabet é dona do Google e de empresas como a Sidewalk Labs, cuja missão é tornar nossas cidades mais inteligentes. O Guardian solicitou registros públicos para descobrir detalhes de quais mudanças ela está propondo.

São três propostas: acompanhar as vagas de estacionamento nas ruas; criar uma espécie de “Airbnb para carros”; e fazer com que a cidade – e a Sidewalk Labs – ganhe dinheiro com essas tecnologias.

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Atualmente, a Sidewalk Labs trabalha em duas iniciativas. Uma delas é o LinkNYC, que transformou orelhões de Nova York em hotspots Wi-Fi gratuitos. Enquanto isso, o Flow propõe soluções de transporte urbano, e será testado em Columbus, Ohio, após ganhar um desafio de US$ 140 milhões realizado pelo Departamento de Transporte americano.

Vagas de estacionamento nas ruas

O Flow é uma plataforma na nuvem que coleta e analisa dados de transporte. A Sidewalk Labs quer usá-lo para resolver o pesadelo que é estacionar um carro na cidade.

Neste plano, veículos da Sidewalk equipados com câmeras – assim como os carros do Street View – contariam todas as vagas públicas nas ruas, lendo as placas de estacionamento. Então, o Flow combinaria esses dados com o Google Maps e com dados em tempo real de parquímetros para estimar quais áreas têm vagas livres, direcionando o motorista para o local mais próximo.

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Estacionamentos privados

Mas e se acabarem as vagas para carros nas ruas? Bem, existem os estacionamentos privados, que podem adicionar suas vagas à base de dados do Flow.

A Sidewalk propõe até mesmo que empresas aluguem temporariamente as vagas de estacionamento em lojas ou shoppings, que seriam normalmente reservadas para clientes. Esta ideia se chama “estacionamento virtualizado”, e se assemelha a um Airbnb para carros.

E, claro, nenhum plano de negócios estaria completo sem a eterna tensão entre a vontade de ajudar as pessoas e de ganhar dinheiro com isso. O Flow iria alterar os preços do estacionamento dependendo da demanda: nos fins de semana, a vaga seria mais barata em locais de trabalho, e mais cara se estiver próxima a eventos.

Isso exigiria que as cidades implementassem o serviço de pagamentos móveis da própria Sidewalk; e elas teriam que renovar placas de estacionamento e parquímetros.

Dinheiro para transporte

A Sidewalk também quer implementar uma inteligência artificial que ajuda fiscais de trânsito a encontrarem rotas mais lucrativas para fiscalizar carros estacionados ilegalmente, rendendo US$ 4 milhões extras por ano a uma cidade de médio porte.

Além disso, a empresa quer subsídios para serviços como o Uber: ela sugere que 90.000 pessoas de baixa renda troquem os benefícios de ônibus (tarifa gratuita ou subsidiada) por crédito em serviços de ridesharing. (O Google detém 5% das ações do Uber.)

Não é algo totalmente fora da realidade: em um projeto piloto, uma cidade na Flórida está subsidiando até US$ 3 por viagem de Uber ou táxi até um ponto de ônibus, ou saindo do ponto e indo para casa, em áreas com pouca ou nenhuma circulação de ônibus.

No entanto, nenhuma das propostas da Sidewalk foi aprovada ainda, possivelmente porque exigem muito trabalho por parte da cidade.

À medida que mais empresas privadas se juntam ao governo na prestação de serviços – quer se trate da SpaceX e seu contrato com a Força Aérea americana, ou a Sidewalk e o Departamento de Transporte – está ficando cada vez mais claro que os dois são codependentes, e que os limites entre política e tecnologia estão cada vez mais tênues.

[The Guardian]

Foto por EOI/Flickr