O governo brasileiro decidiu comprar vacinas contra a Covid-19 dos laboratórios Pfizer e Janssen, segundo informações da TV Globo e do UOL. Os contratos não foram assinados ainda, mas os acordos devem ser selados na semana que vem. Em reunião com representantes da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) nesta quarta-feira (3), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, confirmou que a pasta está elaborando o contrato com a Pfizer e negocia com a Janssen.

A decisão vem depois da aprovação do projeto de lei que autoriza União, Estados e municípios a assumir a responsabilidade civil por eventuais efeitos adversos das vacinas durante a emergência em saúde pública. Pazuello divulgou um vídeo de uma reunião com representantes da Pfizer e uma foto da reunião com a Janssen. À noite, o Ministério da Saúde publicou no Diário Oficial da União um aviso de dispensa de licitação para compra das vacinas das duas empresas.

A proposta da Pfizer é de entregar cerca de 8,715 milhões de doses em junho, 32 milhões até setembro e outras 59,285 milhões até dezembro, totalizando 100 milhões de doses. Já a Janssen pretende entregar 38 milhões de doses durante o segundo semestre.

A vacina contra Covid-19 da Pfizer já recebeu o registro definitivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), enquanto a vacina da Janssen (empresa que é o braço farmacêutico do grupo Johnson & Johnson) ainda precisa ser liberada pela entidade.

Elas se juntariam à CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac e fabricada pelo Instituto Butantan, e à Covishield, desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca e fabricada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O governo brasileiro também entrou em acordo na semana passada com a Precisa Medicamentos, representante no Brasil da Bharat Biotech, que desenvolveu a vacina Covaxin. Seriam entregues 20 milhões de doses até maio. Os resultados dos ensaios clínicos de fase 3 da Covaxin ainda não foram divulgados e o imunizante também precisa de autorização da Anvisa para ser utilizado no Brasil.

A vacina da Pfizer usa a técnica de RNA mensageiro, considerada uma das mais modernas. Nela, o material genético responsável pela proteína spike, que liga o vírus às células humanas, é envolto em nanopartículas de gordura e injetado no corpo do paciente. Assim, o próprio organismo produz as proteínas, aprende a reconhecê-las como invasoras e produz anticorpos para neutralizá-las, melhorando a imunidade contra a Covid-19.

O imunizante precisa ser aplicado em duas doses com três semanas de intervalo. Um obstáculo é o armazenamento. Inicialmente, recomendava-se manter a fórmula a -70 graus Celsius, uma temperatura extremamente baixa. Novas instruções, porém, indicam que a vacina se mantém estável com menos frio, entre -25 e -15 graus Celsius. Outra boa notícia é que mesmo uma única dose parece conferir proteção contra casos graves, de acordo com dados do Reino Unido.

Já a vacina da Janssen usa o material genético da proteína spike dentro de um adenovírus modificado, uma técnica parecida com a da Covishield, da Oxford/AstraZeneca/Fiocruz, e com a Sputnik V, do Instituto Gamaleya da Rússia. A grande vantagem da vacina da Janssen é ser de dose única, enquanto praticamente todas as outras precisam de duas doses para atingir a proteção desejada. Outra vantagem está no armazenamento, que pode ser feito em refrigeração comum, de 2 a 8 graus Celsius, por até três meses.

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A vacinação contra Covid-19 no Brasil vem sendo criticada pelo atraso em seu início e pela lentidão na aplicação das doses. A campanha começou só na segunda metade de janeiro, e o governo federal demorou para fechar acordos de compra. Até esta terça-feira (2), 7,1 milhões de pessoas haviam tomado ao menos uma dose de imunizante no País.