O governo Trump tem outra empresa chinesa de tecnologia em sua mira: a Semiconductor Manufacturing International Corporation, maior fabricante de chips do país. E como você pode imaginar, se tem acompanhado as notícias recentes, isso não é nada bom para a companhia.

Na sexta-feira (25), o Departamento de Comércio dos EUA informou às empresas americanas da indústria de chips sobre as novas restrições às exportações para companhia, relatou o Financial Times. Agora, as empresas americanas devem obter licenças do governo para vender produtos, como software e equipamentos de fabricação de chips, para a SMIC.

Em uma carta comunicando as novas restrições às empresas norte-americanas, o Departamento de Comércio disse que tomou a medida porque as exportações para a SMIC representavam um “risco inaceitável” de serem potencialmente utilizadas para fins militares.

De acordo com fontes do governo dos EUA citadas pelo Times, o Pentágono fez a proposta de aplicar restrições à SMIC porque estava preocupado com a possibilidade de que a empresa estivesse capacitando o avanço tecnológico das forças armadas chinesas.

Em comunicado à Reuters, a SMIC disse que não recebeu nenhum aviso oficial das restrições dos EUA e que não tem vínculos com militares chineses.

“A SMIC reitera que fabrica semicondutores e fornece serviços exclusivamente para usuários finais civis e comerciais e usuários finais”, disse. “A empresa não tem nenhuma relação com os militares chineses e não fabrica para nenhum usuário final militar.”

Mas, embora a SMIC enfrente novas restrições, ela ainda não está na lista de entidades, que funciona essencialmente como uma lista de proibições do Departamento de Comércio. As empresas na lista de entidades estão impedidas de usar tecnologias feitas nos EUA em seus dispositivos. Isso, como observa a Reuters, dificulta a aprovação de qualquer licença de exportação.

O Bureau de Indústria e Segurança do Departamento de Comércio dos EUA, que controla a exportação de commodities e tecnologias relacionadas que podem comprometer a segurança nacional dos EUA, se recusou a comentar as restrições da SMIC em um comunicado à Reuters. No entanto, disse que estava “monitorando e avaliando constantemente quaisquer ameaças potenciais à segurança nacional dos EUA e aos interesses da política externa”.

As novas restrições são mais um golpe para a SMIC, que já havia sido afetada pelas sanções dos EUA contra a Huawei, sua principal cliente. Ao contrário da SMIC, a Huawei foi adicionada à lista de entidades em 2019.

O presidente da Huawei, Guo Ping, disse este mês que as sanções dos EUA trouxeram “grandes desafios” para a produção e as operações da empresa. As restrições atingiram a divisão de smartphones da Huawei de maneira especialmente dura, e a empresa disse que pararia de fabricar seu chip Kirin, um de seus processadores mais avançados do mercado de smartphones, a partir de 15 de setembro. Os chips Kirin equipam os celulares de ponta da Huawei. O Times relata que as novas restrições também afetarão a designer de chips americana Qualcomm, que usa a SMIC para fabricar alguns de seus produtos.

A mudança é a mais recente na disputa de tecnologia entre os EUA e a China, que se intensificou especialmente nos últimos meses. Caso você precise de um lembrete, o governo Trump tentou banir o aplicativo de compartilhamento de vídeo TikTok e forçar seu proprietário chinês, ByteDance, a vender a divisão dos EUA para uma empresa americana. Ele também tentou proibir o aplicativo de mensagens WeChat, mas uma juíza impediu a aplicação dessa medida.

A China não aceitou tudo isso de braços cruzados. O país teria afirmado que prefere que o TikTok seja encerrado nos EUA a autorizar a venda forçada do aplicativo para uma empresa americana. O país também tem trabalhado em sua própria versão de uma lista de proibições, ou uma lista de “entidades não confiáveis”, que poderia impedir certas empresas estrangeiras de importar, exportar ou investir no país.