Greg Kot, crítico de música do Chicago Tribune e outros, escreveu o livro "Ripped: How the Wired Generation Revolutionized Music" (Como a geração conectada revolucionou a música). Em um podcast recente, ele explica como a indústria da música é culpada pela própria queda, e porque o iTunesmaior vendedor digital de música nos EUA — não vai salvá-la.

Kot afirma que a indústria da música foi uma das principais causas da pirataria. A explosão de boy bands e astros pop do naipe de Christina Aguilera e Britney Spears, no fim dos anos 90, aconteceu por causa da insistência das gravadoras em jorrar muito dinheiro em músicas sem sofisticação, impessoais e de baixo nível, o que tornou as rádios um lixo. Havia pouco espaço para os verdadeiros gênios bizarros, como Prince ou David Bowie, e sem boa música, uma hora o mercado teria que reagir — daí surgiu o Napster.

Kot passa pelos argumentos que todo bom pirata sabe: músicos não ganham dinheiro com venda de álbuns, a revolução MP3 deu força ao movimento independente e a uma grande variedade de bandas novas e boas. Mas a insistência das autoridades (como a RIAA) em processar a pirataria para que deixe de existir levou o público a perder a culpa em baixar música ilegal.

O legal é ver que Kot reconhece que o iTunes, o tão aclamado campeão de downloads de música que respeitam a lei, ainda é bem inferior que as opções que os piratas oferecem. As gravadoras parecem ter colocado suas esperanças no iTunes, mas Kot lembra que o iTunes não basta, e que as gravadoras deveriam estar se matando para descobrir um modelo de negócios viável que atraia consumidores — em vez de policiá-los —, e que seja pelo menos tão bom quanto as opções ilegais. [The Sound of Young America]