Estamos a alguns dias de a Uber fazer sua jogada multibiolionária na Bolsa de Valores de Nova York, e milhares de motoristas de várias partes do mundo estão se preparando para fazer uma série de greves e protestos nesta quarta-feira (8) em um esforço para lutar por melhores pagamentos e melhor tratamento.

A Uber, no entanto, espera que a questão da insatisfação de motoristas fique ainda pior.

“Com esta greve queremos passar uma mensagem para as empresas gananciosas que usam nossa força de trabalho para atingir os objetivos delas”, disse Omar Alkhameri, um motorista da Uber de San Francisco, ao Gizmodo. “Para tentar achar formas de ajudar os motoristas a sobreviver e ter um sustento. Que nos tratem como seres humanos.”

Grupos de motoristas em cidades como San Francisco, Los Angeles, San Diego, Washignton D.C., Atlanta, Chicago e Boston estão planejando uma greve. Em outras cidades, como a Filadélfia, os pilotos realizarão protestos e conferências de imprensa sobre as condições de trabalho das empresas de aplicativo de transporte. Uma lista incompleta de greves e protestos está sendo atualizada neste link.

Fora dos Estados Unidos, motoristas da Austrália e Reino Unido dizem que vão também fazer protestos nesta quarta-feira (8). No Brasil, existem relatos de que haverá paralisação, mas não existe uma noção da comoção dos participantes e se vai haver algum impacto no serviço.

A Uber, fundada há dez anos, está em um ponto crucial de sua história. Na véspera da sua oferta pública inicial, os números da empresa de San Francisco somam uma imagem profundamente estranha.

A companhia espera ser avaliada em mais de US$ 80 bilhões em seu grande dia em Wall Street. Este deve ser o terceiro maior IPO da bolsa, perdendo para o Alibaba e para o Facebook. O crescimento da receita desacelerou recentemente e a empresa continua não dando lucro, com uma perda de US$ 1,1 bilhão no primeiro trimestre de 2019. Executivos, fundadores, investidores e funcionários devem ganhar uma nota preta, mas dezenas de motoristas disseram ao Gizmodo que o pagamento está reduzindo.

Um estudo de 2018 do JP Morgan Chase concluiu que o pagamento de motoristas caiu em 53% desde 2013. A Uber diz que esta mudança ocorreu por causa do aumento no número de motoristas que trabalha em meio período.

O problema certamente deve crescer. No S-1 da Uber, o formulário que a empresa arquivou junto à SEC para abrir o capital, a empresa admitiu insatisfação significativa dos motoristas que, provavelmente, aumentará à medida que o salário líquido continuar diminuindo.

“Em particular, como planejamos reduzir os incentivos do motoristas para melhorar nossa performance financeira, esperemos que aumenta a insatisfação dos condutores”, explicou a Uber.

“A primeira ação global coordenada contra a Uber é enviar uma mensagem clara de que os condutores estão cansados”, disse Rebecca Stack, uma motorista da Uber, ao Gizmodo. “Motoristas em várias parte do mundo têm demandas semelhantes: ter um salário digno, ter uma voz no trabalho, transparência sobre o salários e políticas e reconhecimento de que foram os motoristas que construíram a empresa. Esperamos que este dia global de ação obrigue a Uber a pagar os motoristas um salário digno