Por Bruno Izidro

No início de setembro, algumas instituições públicas e ministérios do governo anunciaram a criação conjunta de um Grupo de Trabalho, ou GT, para jogos. Um GT é um grupo que reúne diversas entidades para discutir, encontrar soluções e criar políticas públicas para um tema, que, nesse caso, são os nossos queridos jogos.

E quem está nessa brincadeira? Bem, só nomes de peso. O GT de Games conta com representantes do Ministério da Cultura (MinC), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Ministério da Educação (MEC), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), além de instituições como SP Cine e Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Porém, na prática, o que a criação de um Grupo de Trabalho significa para a área de games no país? Para tentar encontrar uma resposta conversamos com o presidente da Associação Brasileira de Desenvolvedores de Jogos Digitais (Abragames), Ale McHaddo.

A Abragames também faz parte do GT de games, atuando em parceria com as demais entidades do grupo. Segundo McHaddo, nesse primeiro momento o objetivo é unir as ações que cada ministério ou órgãos estavam executando separadamente e planejar algo que envolva todos, para que elas atinjam ainda mais pessoas. “É muito importante que tudo seja planejado em conjunto, caso contrário vamos repetir ações que estimulam pontos isolados do setor”.

Essa ideia é reforçada pelo Ministério da Cultura. Durante o anúncio do GT de Games, a diretora de Empreendedorismo, Gestão e Inovação da Secretaria de Políticas Culturais do MinC, Georgia Nicolau, ressaltou ser importante que os projetos das entidades estejam sincronizados. “Juntos, podemos pensar de forma mais estratégica e ampliar, articuladamente, o alcance dos nossos projetos para beneficiar esses empreendedores”, ela disse. No caso, os empreendedores seriam os estúdios ou desenvolvedores indies.

Já as ações seriam editais, concursos ou investimentos relacionados ao desenvolvimento de jogos aqui no Brasil. “Porém vai ser difícil colocar alguma dessas ações em pratica até o final do ano”, lamenta McHaddo.

abragames_presidente

Ainda assim, o presidente da Abragames está bem otimista pelo que o GT pode conquistar, principalmente por essa ser a primeira vez que tantos órgãos públicos se unem para conversar e agir para melhorar o cenário de desenvolvimento de games no país. “Estamos falando desde a regulamentação do setor, definindo regras mais claras para o mercado, até mecanismos de fomento que vão injetar dinheiro em produções nacionais”.

Ou seja, se ainda não ficou claro para alguém, a função do grupo de trabalho não é tentar baixar os tão odiados impostos nos games ou baratear os preços dos videogames por aqui (pelo menos não ainda), e sim incentivar a produção de jogos nacionais, principalmente indies.

Afinal, nunca a área de desenvolvimento de jogos esteve tão ativa quanto agora. É só vermos a quantidade de jogos que foram lançados em grandes consoles só esse ano, como Toren no PS4 e agora Aritana E A Pena da Harpia no Xbox One, ou outros ganhando reconhecimento até mesmo internacional, como Chroma Squad e Horizon Chase.

Toren, aliás, é um bom exemplo do que pode se repetir com outros jogos desenvolvidos por aqui, já que ele conseguiu investimento por meio da Lei Rouanet. São mais ações desse tipo que o GT de games busca no momento.

Toren

Por enquanto, o Grupo de Trabalho de Games significa um passo enorme para o cenário de games no país, mas ainda precisa mostrar a que veio com ações práticas, o que talvez possa acontecer na próxima reunião do grupo, onde os representantes de todas as entidades participantes estarão juntos – e que está prevista para novembro, em São Paulo.

Foto de capa: reprodução/Facebook Abragames