Essa aí é a atriz que interpreta Lisbeth Salander, a hacker protagonista da popular trilogia literária Millenium, do recentemente falecido autor Stieg Larsson, que invade redes seguras e discos rígidos com facilidade. Mas será que os métodos dela no livro (especificamente no terceiro, A Rainha do Castelo de Ar) são como os dos hackers reais? A revista Vanity Fair fez essa e outras perguntas ao ex-hacker Kevin Poulsen.

Poulsen, um ex-hacker "Black Hat" que agora edita o blog Threat Level da Wired, diz que as conquistas do hacking fictício de Lisbeth Salander são bem realistas, mas que o modo como ela faz as coisas é meio turvo:

Michael Hogan: Há algo que a personagem fez e que você considera implausível?

Kevin Poulsen: O interessante é que tudo que ela faz é completamente plausível. O que é pareceu muito sem sentido é o modo como ela faz, enquanto questão técnica.

Você pode explicar?

Bem, ela usa um aparelho presenteado por outro amigo hacker — ela o coloca sobre o cabo coaxial do financeiro corrupto, Hans-Erik Wennerstrom. A descrição de como isso funciona e como ela usa isso para obter o controle do seu computador é uma invenção. Ela descreve pegar o computador dele e basicamente configurá-lo para que, quando ele pense que está logado e usando o computador, ele está na verdade usando o servidor dela — e ela está monitorando tudo. 

Certo.

Não é assim que algo nessa linha seria feito. Mas atualmente você certamente vê os hackers atacando os PCs das pessoas em vez de ir atrás dos servidores; gravando digitação e tudo mais. É exatamente isso que os hackers têm feito hoje em dia. Especialmente em crimes financeiros. Mas no que diz respeito aos aspectos técnicos, é tudo bastante fictício. Mas as capacidades são todas bem reais. 

Apesar de Poulsen ser um hacker de tempos mais simples — ele ficou famoso trapaceando um concurso de rádio para ganhar um Porsche —, ele diz que ainda há algumas tentações distintas no mundo hacker atual:

Se você é um hacker que demonstra ter talento, pode acabar sendo pressionado para se envolver nesse tipo de coisa. Para um hacker acabar assim, o motivo mais provável é a tentação, mais do que ameaças ou pressão. É possível ganhar muito dinheiro fácil e com risco muito baixo, especialmente nos países da Europa Oriental, onde eles estão atrasados no que diz respeito a lidar com estes crimes. Por muitos anos, os hackers na Rússia e em antigos estados soviéticos estão operando praticamente impunes — e ganhando, em alguns casos, milhões e milhões de dólares. 

Para os leitores da trilogia Millenium, ou apenas para quem estiver interessado em ouvir falar sobre o estado dos hackers da boca de um especialista, a entrevista completa é uma ótima leitura. Agora dá licença que eu vou lá rodar o meu antivírus. [Vanity Fair]