Hackers vandalizaram um site do governo americano relativamente pequeno no domingo (5), deixando uma mensagem para o presidente Donald Trump e sugerindo que o governo do Irã estava por trás do ataque. Mas ainda não há evidências de que o Irã esteja realmente por trás da invasão, de acordo com a Agência de Cibersegurança e Segurança de Infraestrutura (CISA), uma divisão do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.

Os hackers modificaram o site do Programa Federal da Biblioteca Depositária (FDLP), um centro de documentos do governo, com uma ilustração do presidente Trump levando um soco na cara e sangrando pela boca. O site vandalizado foi arquivado pelo Wayback Machine do Internet Archive, que rastreia a Internet periodicamente para preservar sites públicos.

Os vândalos substituíram a página de destino do site do governo dos EUA por mensagens pró-Irã e pró-Palestina e chamaram o recém-assassinado Qassem Soleimani de mártir do Irã. O que parecia ser mísseis iranianos também foram inseridos por photoshop na imagem.

O governo dos EUA está em alerta máximo após o assassinato de Qassem Soleimani, um general iraniano do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica que era reverenciado no país. Soleimani teria sido morto por um drone dos EUA por ordem direta do presidente Trump, um homem que passou o fim de semana prometendo cometer crimes de guerra se o Irã contra-atacar os EUA. Especificamente, Trump prometeu atacar territórios culturais iranianos, algo proibido pelas leis internacionais.

Captura de tela: FDLP/Wayback Machine

O texto na página hackeada dizia que “uma vingança severa aguarda aqueles criminosos que contaminaram suas mãos sujas com o sangue [de Soleimani]”.

Outras partes da página invadida continham erros de inglês, como a frase “We’re always ready, to be continues…”

Captura de tela: FDLP/Wayback Machine

“Estamos cientes de que o site do Programa Federal da Biblioteca de Depósitos (FDLP) foi modificado com mensagens pró-iranianas e anti-EUA”, disse um porta-voz da CISA ao Gizmodo por e-mail.

“No momento, não há confirmação de que essa foi uma ação de atores patrocinados pelo Estado iraniano. O site foi retirado do ar e não está mais acessível. A CISA está monitorando a situação com a FDLP e nossos parceiros federais”.

O site parece ter voltado a funcionar normalmente, a partir de segunda-feira (6) de manhã.

Trump também passou o fim de semana alegando que não precisa obter aprovação do Congresso para iniciar uma guerra de tiros em larga escala com o Irã, insistindo que seu tuíte no domingo foi sua notificação ao Congresso.


Tradução: Essas publicações nas redes vão servir como notificação ao Congresso dos Estados Unidos de que, se o Irã atacar qualquer pessoa ou alvo norte-americano, os Estados Unidos vão revidar rapidamente e com toda força, e talvez de maneira desproporcional. Avisos como esse não são necessários, mas está sendo dado mesmo assim.

E tudo isso está tornando os norte-americanos decididamente menos seguros. A CISA emitiu um boletim em 4 de janeiro alertando que, embora não houvesse ameaça “específica” contra os EUA, os norte-americanos deveriam permanecer vigilantes.

“Conforme descrito no recente boletim do NTAS, nesses tempos de ameaças crescentes, todas as organizações devem aumentar o monitoramento, fazer backup de seus sistemas, implementar autenticação multifatorial e ter um plano de resposta a incidentes à mão”, disse um porta-voz da CISA ao Gizmodo. “Para obter mais informações sobre o cenário de ameaças cibernéticas e dicas de prevenção e preparação, consulte CISA.gov”.

Líderes no Irã prometeram vingança e hoje viram multidões massivas no funeral de Soleimani. Mas, neste ponto, não há muito que o norte-americano médio possa fazer senão sentar e esperar pelo que vier.

O melhor que podemos esperar é que, aconteça o que acontecer, o presidente Trump não exagere e inicie a Terceira Guerra Mundial. Vamos apenas dizer que não é algo pelo qual estamos ansiosos.