Ontem a Motorola lançou três novos smartphones com Android. O mais esperado era o Milestone 2, sucessor de um dos melhores celulares à venda no Brasil. Por fora, ele é praticamente idêntico ao primeiro modelo, lançado por aqui em dezembro, com teclado físico e material bem resistente. Por dentro, muda o processador, memória interna e o sistema operacional: sai o Android 2.1, entra o Android 2.2. É o suficiente para justificar o upgrade ou os R$ 1.699, preço sugerido dele desbloqueado? Nossas impressões.

À primeira vista, o Milestone 2 é igual ao primeiro, lançado em dezembro. À segunda também: ele continua com um visual industrial sólido, resistente, mesmas dimensões. Na terceira, podemos ver que o formato um pouco mais arredondado, alguns botões externos diferentes, melhores e mais anatômicos, e o teclado físico melhor: sai o touchpad que 3 pessoas usavam, ganha-se mais espaço para teclas e alguns botões de atalho. Ele continua meio pesadinho (169g). A mentalidade geral é que "em time que está ganhando mexe-se pouco". No novo pacote a ser vendido no início de novembro, além da dock Station, teremos também um carregador e suporte veicular. 

Por dentro há algumas diferenças aparentemente significativas. Sai o processador de 550 Mhz, entra o novo OMAP de 1 GHz com aceleração gráfica e, segundo alguns benchmarks, mais rápido que o Snapdragon de concorrentes como o X10. UPDATE: Contra o Galaxy S ele ganha aparentemente por causa do Android 2.2, mas há indícios de que a GPU do concorrente coreano é melhor. Faz muita diferença? Deve fazer, provavelmente no uso diário e com aplicativos específicos que usam bastante gráficos, mas não conseguimos perceber no nosso curtíssimo tempo com ele na mão. Para abrir programas ele é melhor que o primeiro Milestone com Android 2.1 (mas não por muito), e um fio de cabelo mais lento que o iPhone 4 (em que pese a diferença dos sistemas operacionais).

Uma coisa que fiquei curioso para testar no hardware foi a câmera, um dos pontos fracos do primeiro Milestone. Para um celular da sua categoria, ela continua terrível. Veja a comparação (meio borrada, porque não podia descarregar a foto do Milestone 2) com a do iPhone 4:

  

Ao menos ele tem agora "estabilizador de imagem", foco com o toque e grava vídeos em 720p. Mas fotos mesmo, com cores boas em condições sub-ótimas, ainda está fora de questão.

Em termos de interface, a grande diferença é o Android 2.2, que fica meio enterrado embaixo da interface própria do Motoblur 1.5, que eu particularmente não gosto. Na prática, usando, ele é aparentemente a mesma coisa. Mas obviamente, há algumas diferenças básicas: no Market, há a possibilidade de dar o upgrade em tudo (o que economiza bastante tempo! (UPDATE: era exclusivo do 2.2, agora vale para todos os 2.1), há suporte ao Flash 10.1 e Adobe Air, é possível gravar os programas no cartão de memória, há um gerenciador de tarefas de fábrica, suporte para outros teclados (Swype, dicionário), habilidade de usá-lo como hotspot Wi-Fi, melhor sincronia com Exchange (inclusive calendário). Tudo isso parece sensacional, não?

Mas, em que se leve em consideração apenas o breve tempo que fiquei com ele, posso dizer, preparado para as pedradas, que o Android 2.2 faz muito pouca diferença. Sim, meu amigo dono de Milestone que está com uma tocha na mão para queimar a sede da empresa pelo atraso do upgrade, estou falando com você.

Se a diferença entre o Android 2.1 e o 1.5 e 1.6 é bem importante (e por isso os donos de Quench, Dexts e Backflips têm razão pela tristeza e revolta), do 2.1 para 2.2 ela é bastante sutil. Eu sei que os übergeeks vão lembrar que a performance no Javascript é 500% melhor, é só contar os MFLOPS daquele benchmark, etc etc. Mas na vida real, para a maior parte dos usuários (lembre-se que menos de 10% fez o upgrade do 2.0 para 2.1) parece que muda muito pouco.

O navegador que seria muito superior a tudo no universo, como propagandeado pelo Google, não impressiona frente ao do iPhone 4: 

De novo: passamos pouco tempo com ele, e havia nos aparelhos que testamos tudo do Motoblur ligado, o que pode prejudicar a experiência do usuário avançado. Nossos amigos do Giz US, que testaram a versão crua do Android 2.2, gostaram mais e viram mais diferença. Mas lá nos EUA eles têm algumas coisas que ainda não temos, como mais comandos por voz, Google Voice e navegador GPS curva a curva. Precisamos de mais tempo para cravar uma opinião definitiva.

Vale a compra?

Nós gostamos tanto do primeiro Milestone porque, mesmo com os bugs do Android, ele era a solução mais elegante e funcional de um smartphone não-Apple com reais vantagens sobre o iPhone 3GS. Dizíamos que apenas eles dois estavam um andar acima da concorrência e o Milestone talvez levasse alguma vantagem no custo/benefício porque, bastante importante, custava R$ 700 menos (comparando em planos semelhantes) que o smartphone da Apple.

Mas, com multitarefa, melhor tela e velocidade, o iPhone 4 tirou várias das vantagens que o Milestone tinha. E chegou recentemente por basicamente o mesmo preço. Pouco antes, apareceu o Galaxy S da Samsung, que apesar do Android 2.1, tem uma câmera e tela maior e melhor, tem TV e é mais leve – e aparentemente sofreu uma redução de preços. E não dá para esquecer o N8 da Nokia, mais barato, que pode atender um público específico por causa da melhor câmera da categoria e navegador GPS offline gratuito, apesar do Symbian. Em resumo: vale colocar o Milestone 2 entre os aparelhos a se considerar, mas a briga está mais equilibrada que no ano passado. E o Milestone 2, apesar de ser um ótimo smartphone, acaba fazendo com que o primeiro Milestone, cada vez mais barato, seja ainda mais interessante, como efeito colateral dos poucos upgrades significativos. 

Falaremos mais quando tivermos um para testar por mais tempo.