Os drones não são gadgets necessariamente baratos e que você encontra em qualquer canto por aí. Sabendo dessa necessidade de ter um produto mais acessível e que tente educar as pessoas sobre qual é a de um drone, para quê ele serve e como é controlar um, as chinesas Ryze e DJI fizeram o Tello.

Ele é um droninho quadricóptero que pesa pouco menos de 100 gramas equipado com a bateria. O Tello vem equipado com uma câmera de 5 megapixels com estabilização eletrônica que capta fotos e vídeos em HD. A velocidade de voo dele pode chegar a 8 m/s e a altitude máxima atingida por ele é de 30 metros; a distância máxima, 100 metros.

câmera do drone Tello

O dispositivo conta com uma bateria removível de 1,1 ah (ampére-hora), o que dá a ele um autonomia de 13 minutos. Para carregar a bateria, basta conectá-la ao drone e usar qualquer carregador micro-USB.

Ok, mas como que é essa belezinha na prática? Bem, configurar e começar a usar o Tello é bem fácil. Dá para controlá-lo por meio de um sistema de programação em bloco — aliás, este é um dos usos recomendados do gadget, pois pode ajudar crianças a criarem instruções para o drone. É possível, usando o app droneblocks, programar o dispositivo para executar algumas funções — pode ser uma forma divertida de aprender o básico da programação; em vez de só executar códigos no computador, dá pra ver na prática um drone “obedecendo” as tarefas.

No meu caso, instalei o app do Tello no smartphone (tem app para iOS e Android), me conectei via Wi-Fi ao aparelho e já comecei ver a câmera do droninho ativa.

A tela do smartphone vira um console de controle. À esquerda, você ajusta a altura do voo e para qual lado ele deve girar. No lado direito, há direcionais (pra frente, pra trás, esquerda e direita). Até aí parece videogame a parada, né? Mas o controle pode ser um pouco complicado — ou eu sou um verdadeiro bração na condução de drones.

Captura de tela da interface do drone Tello

Bom, após fazer ele voar, leva um tempo até se acostumar com os controles. Tanto é que minha primeira experiência foi brincar com ele no escritório. Em um ambiente controlado, deu para fazer uns pequenos vídeos, tirar algumas fotos e não destruí-lo na parede.

Agora no ar livre, as coisas começam a ficar mais difíceis. Acabei usando o drone em dias com bastante vento, e aí devemos lembrar que este é um drone de 100 gramas. Então, em qualquer rajada ele fica instável — em alguns casos, o vento era tanto que o drone ia indo para o lado sozinho. O que me restava era tentar estabilizá-lo com o console via app no smartphone.

Fora o controle, os comandos para foto e vídeo são super simples. Ao voar com ele, basta tocar no disparador e ele capta a imagem. De modo geral, as fotos em ambientes claros são bem boas, com definição aceitável e cores bem vivas. Aliás, o Tello teve uma boa serventia para mim. Durante o teste, rolou uma baita ventania e quis checar se a tampa da caixa d’água de casa tinha voado. Aí fui lá com o drone, voei até a altura da caixa d’água e tirei uma foto. Um gasto a menos com uma possível queda da escada.

Com vídeo a coisa fica um pouco mais difícil. Lógico, ele grava vídeos, mas a qualidade não é das melhores. A culpa parece ser pelo fato de estar usando a conexão Wi-Fi. Em alguns momentos, alguns quadros geralmente se perdiam. Suspeito que seja interferência, pois a gravação ocorreu em locais com muitas redes ao redor — mais especificamente no Largo da Batata, na região de Pinheiros, em São Paulo

(Após publicarmos o texto, o leitor HSavior deu como sugestão usar um extensor de Wi-Fi para melhorar a captação de vídeo)

Bem, controlar o drone para filmar apenas no console pode ser complicado por causa da estabilização ou mesmo pela falta de habilidade em conduzí-lo para cima ou para baixo. O bacana é que o app do Tello conta com uma série de modos de voo. O mais legal é o “Up and away”. Nele, o drone simplesmente vai se afastando para trás enquanto sobe. Dá um efeito bem interessante e não exige nenhum esforço: só selecionar o modo de voo e ele faz tudo sozinho.

Outro bacana é o “circle” em que o drone fica circulando ao redor da pessoa com o controle. Tem uns modos que eu não entendi muito, com o “bounce mode”, que ficava alterando a altitude entre 0,5 m e 1,5 m. Tem ainda um que modo curioso que é o “throw & go” que, como sugere o nome em inglês, você o aciona o comando, pega o drone na mão e o “atira”, fazendo com que ele fique parado no local.

De modo geral, foi divertido usar o Tello. Eu nunca tinha mexido num drone antes, então deu para entender um pouco a lógica do aparelho e seu funcionamento. No meu caso, serviria para tirar algumas fotos e para diversão — perto de casa, tem uns crápulas que usam drone para cortar a linha de pipas (!!!). Nos EUA, ele sai por US$ 100; por aqui, em varejistas, você pode achar com preços que variam entre R$ 499 e R$ 715.

Aliás, se for comprar, é legal adquirir algumas baterias extras— lembre-se dura um pouco mais de 10 minutos e isso é pouco; a título de comparação, um drone Spark, da DJI, tem autonomia de 15 minutos, com a vantagem de ter estabilização óptica e ser mais parrudo. Assim que acaba, o app começa a notificar o usuário e, em alguns casos, diz que o drone não pode mais voar; ter alguma bateria extra ajuda a não estragar o barato da diversão. Cada um sai por em média R$ 100, mas, em alguns lojas os itens são vendidos em um bundle junto com o Tello.

Se você precisar de vídeo de boa qualidade, o jeito é recorrer a algum aparelho da DJI com melhor estabilização e que seja mais parrudo — se for o caso, tem o Spark, que já citamos anteriormente, que é parrudo e pode render boas imagens, inclusive em vídeo. Com o Tello, a ideia é introduzir as pessoas no mundo dos drones e curtir adoidado.